“Elementary” – Primeira Temporada [2012/2013]

Ora então boa noite.

Hoje venho-vos falar de Elementary, a série que me preencheu as noites durante a passada semana e me fez ficar acordada até à uma da manhã ontem. Antes de mais, quero afastar já quaisquer críticas: adoro a versão da BBC. OK? OK.

Quando se começou a ouvir falar de uma adaptação norte-americana das histórias de Sherlock Holmes houve uma reacção bombástica por parte dos fãs da série da BBC da qual, não tenho vergonha em admitir, fiz parte: que era um disparate, que os norte-americanos não podiam ver uma série original que queriam logo copiar, mas que parvoíce é esta de tornarem o Watson numa mulher e ainda por cima asiática, vão estragar, vai ser horrível, ainda por cima o Miller e o Cumberbatch são amigos, que horror, fim do mundo, etc. Até que o espaço entre as temporadas de Sherlock começou a ser difícil de suportar e uma pessoa pensa “Hm, já agora deixa lá ver só para passar o tempo”. Vi os primeiros seis episódios ainda antes de ir para a Escócia. Lembro-me que na altura gostei, ainda me ri um bocadinho mas achava que de Sherlock e Watson os personagens só tinham o nome e que os episódios seguiam todos uma fórmula muito CSI-esca. O que não é nada o meu género. Por isso, parei.

Até Domingo passado, quando apanhei por acaso um episódio na TV e me lembrei que tinha deixado a série a meio. Meu dito meu feito. E mudei radicalmente de opinião.

Para começar, não se deve comparar sequer Elementary com Sherlock. A última faz um excelente trabalho, segue os contos de Doyle com um twist moderno, o humor é excelente e tem uma britishness inerente que é simplesmente deliciosa. Elementary, por seu lado, desenvolve mais os personagens tornando-os também contemporâneos, produtos do nosso tempo. O que está subentendido em Sherlock, em Elementary é explorado sem medos – dou como exemplo o problema de Holmes com droga. O Sherlock de Miller não é tão alheado da sociedade; tem dificuldades em compreendê-la na mesma e consegue ser um indivíduo estupidamente difícil mas está inserido nela. E é muito mais complexo. Quanto a Watson, a ideia de lhe mudarem o sexo foi excelente. Não só facilitam um futuro romance entre os personagens (que está a ser muito bem construído) mas conseguiram criar um excelente modelo a seguir. Uma mulher num mundo de homens que consegue manter a sua personalidade.

Elementary falha um pouco na continuidade. O décimo segundo episódio é um ponto de viragem na série, onde o passado de Sherlock lhe vem fazer uma visita na pele de Sebastian Moran e onde pairam as presenças de Moriarty e Irene Adler. Mas depois disso não há desenvolvimento nenhum até ao vigésimo primeiro. Digo, há desenvolvimento de personagens e da dinâmica Holmes/Watson, mas a história não anda para a frente nem para trás. Aqui a versão da BBC ganha. Ao terem temporadas de apenas três episódios conseguem-se cingir ao essencial sem ter necessidade de criar fillers. A vantagem de Elementary é que os fillers, embora estejam dentro do esquema CSI de que já falei, estão escritos de maneira muito inteligente e têm momentos pequenos que valem a pena.

O twist final é absolutamente brilhante, fazendo da série algo que não tem medo de desconstruir ideias pré-concebidas nem de inverter papéis de poder. Só tenho receio é que tenham esgotado logo as melhores ideias para um fio condutor agora na segunda temporada mas isso, meus caros, é acompanhar e ver o que acontece.

Foi uma boa surpresa.

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