“Dallas Buyers Club” – 2013

Tinha uma ideia completamente errada sobre este filme. Ao ver o título, assumi de imediato que se tratasse de uma versão texana do Wolf of Wall Street. Depois dos Globos, fiquei com alguma curiosidade, ainda assumindo que fosse mais um filme sobre fraudes económicas. Mas depois li a sinopse e aconteceu o que costuma acontecer comigo: não consegui esperar um segundo até o ver.

O filme começa em 1985, quando se soube que Rock Hudson estava doente com SIDA. Ron Woodruff é um texano de gema, amante de bull riding, mulheres e droga. Um dia é-lhe diagnosticado o vírus HIV e é-lhe dito que tem apenas trinta dias para viver. Ron descobre que a indústria farmacêutica está a começar a testar o AZT em humanos e consegue obter alguns exemplares ilegalmente, apenas para descobrir que o medicamento apenas lhe destrói ainda mais o sistema imunitário. É-lhe indicado um médico alternativo no México que, através de vitaminas e outros suplementos consegue prolongar o tempo de vida dos doentes de SIDA. E é aí que a ideia de montar um negócio quid pro quo: importa estes medicamentos alternativos e vende-os a doentes de SIDA da sua região em troca de grandes somas de dinheiro por parte destes para serem membros deste “clube”. Outras personagens são Eve, uma médica que também está contra a introdução de altas doses de AZT nos pacientes e que admite que a medicina alternativa de Ron funciona e Rayon, um transsexual também doente e com problemas de droga.

A história só por si é interessante: não só por ser um caso verídico mas por mostrar como funciona a indústria farmacêutica cujo único interesse é introduzir drogas caras no mercado independentemente dos seus efeitos (as primeiras doses de AZT tinham como efeito secundário cancro, perda de medula, entre outros) e a luta de um homem que descobriu uma “cura” alternativa que nunca seria aprovada pela FDA mas que produzia efeitos visíveis. Por exemplo, Ron viveu sete anos quando lhe foram diagnosticados apenas trinta dias. Mas este é também um filme de representações pungentes. Nunca esperei ver Matthew McConaughey encarnar tão bem um papel; aliás, nunca esperei gostar de o ver num filme. Mas a sua prestação é isenta de falhas. Não é forçada. É simplesmente humana, e o crescimento pessoal de Ron, ao ver a realidade da doença que o assola, e interessantíssimo de ver. Quanto a Jared Leto, é bom voltar a vê-lo no ecrã. Nunca o achei mau actor (Requiem for a Dream, anyone?) e contribui aqui com o factor humano.

O desfecho é previsível, claro e infelizmente, mas foi bom saber que a FDA começou a administrar AZT em doses bastante mais baixas, o que reduzia os terríveis efeitos colaterais, combinadas com outro tipo de medicamentos. Portanto a luta de Ron não foi de todo em vão.

Leonardo, adoro-te, sou tua fã desde os onze anos (embora aos onze anos não fosse propriamente pelos teus méritos como actor…) mas tens aqui competição séria. Bem séria. E sinceramente acho que o Matthew se tornou no meu novo favorito para a estatueta. Embora fique super contente se ganhares.

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