Excursões literárias – Haworth

Haworth, vila aninhada no Yorkshire, é conhecida por ser o sítio onde as irmãs Brontë viviam. Como tal e como admiradora semi-obsessiva da Emily Brontë não podia deixar passar esta oportunidade. E é aqui tão… bem, relativamente pertinho!  A aldeia é realmente pequena e espalha-se pelo vale. Tem um pequeno aglomerado do lado direito da estação de comboios – onde ainda passam comboios a vapor – onde está localizado o Hostel mas a parte principal fica acima do vale, para a esquerda da estação. Atravessa-se a ponte, sobe-se uma rua ladrilhada e já está – o que é dizer pouco porque a minha resistência física está pelos cantos; cheguei lá acima a deitar, perdoem-me o coloquialismo, os bofes pela boca.

O centro da vila consiste numa rua principal que parece que parou no tempo. As casinhas são agora as típicas casas de chá, tem algumas lojas de lembranças originais – sabem perfeitamente o tipo de turismo que a aldeia atrai e jogam com isso e tem, obviamente, excelentes livrarias de livros em segunda mão e com algumas raridades das Brontë que fazem uma pobre rapariga como eu chorar de falta de dinheiro. Subindo mais um pouco chegamos ao largo da Igreja pelo qual entramos pelo lado direito que passa paralelamente ao cemitério e termina na casa da família. Uma visita à Igreja é mandatória:

Não se consegue perceber muito bem o que diz mas marca o sítio onde estão os corpos da Emily e da Charlotte. Segundo entendi, os restos mortais estão por baixo dos pilares. Mas já passou algum tempo e não me consigo recordar com certezas. Ainda a caminho da casa da família passamos pela escola onde a Charlotte deu aulas:

Entrada para a casa:

E o cemitério que ficava entre a casa de família e a Igreja – isto porque o Sr. Brontë era pároco.

Infelizmente não se podia fotografar dentro da casa pelo que este pequeno segmento vai parecer um bocadinho sensaborão. A casa é a perfeita casa de campo idílica. Pequena, aconchegada, com divisões pequeninas com sofás em redor da lareira. As divisões estão recriadas para a época e algumas contém mobília autêntica, como o cadeirão onde a Emily faleceu. Dei por um a olhar para ele durante uns bons minutos. Tanto génio ali ao ponto de desaparecer para sempre!… Noutras salas podemos ver um vestido da Charlotte, ver as pequenas mesas de escrita que as irmãs utilizavam, ler alguma correspondência, ver desenhos de Charlotte e aprender mais sobre o misterioso irmão Brontë. Qualquer admirador das irmãs, de qualquer uma das irmãs (a minha preferência vai para a Emily, no entanto) irá adorar a excelente exposição destes objectos de dia a dia por elas utilizados.

É nas traseiras da casa que se começam os passeios para as moorlands. Estando a viajar sozinha não me aventurei muito por aí além mas fiz questão de sentir o sítio.

Depois de visitar este lugar tornou-se para mim fácil perceber como é que as moorlands são quase um personagem em Wuthering Heights. É toda a realidade que Emily conhecia, vivendo para a lida doméstica e para a escrita. Eram o seu escape. Wuthering Heights nasceu do seu amor pelas moorlands, sem sombra de dúvida. E ainda hei-de lá voltar com companhia para ouvir o vento durante a noite.

Próxima excursão literária? Está difícil. Estamos na fase do orçamento.

Nota: Há um texto muito giro escrito pela Virginia Woolf sobre Haworth. Recomendo!

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