“The Great Escape” – 1963

Filme realizado por John Sturges (“The Magnificent Seven”) e baseado no livro do mesmo nome, de Paul Brickhill, conta a história de um grupo soldados (sendo grande parte destes, pertencente às Forças Aéreas Britânicas) e da sua grande fuga de Stalag Luft III, um campo de prisioneiros gerido pela Luftwaffe.

Sendo este um filme dos anos 60, confesso que a nível de visual e atmosfera não é uma película que consiga capturar o ambiente horrível e caótico proporcionado pela guerra. Apesar de ser baseado num livro, este é um filme feito para entreter, não para relatar. Apesar de seguirmos várias personagens, há três que se destacam: o Capitão Virgil Hilts (Steve McQueen), o Tenente de vôo Bob Hendley (James Garner) e o Líder de Esquadrão* Roger Bartlett (Richard Attenborough).

A história começa com a chegada de vários prisioneiros a Stalag Luft III, onde ficamos a saber que vários dos oficiais que lá se encontram têm um longo historial de tentativas de fuga de outros campos e foram enviados para este por ser considerado mais seguro e guardado. Entre os recém-chegados encontra-se o Capitão americano, Virgil Hilts (McQueen). Hilts é o típico americano rufia e rebelde, que não tem consideração pelas “autoridades” e pelas regras (fazendo um grande contraste com os oficiais ingleses) e acaba sempre encarcerado devido à sua má conduta. É na sua primeira visita à solitária que Hilts engendra um plano para escapar. Apesar de confiante que conseguiria ser bem sucedido, é apanhado e volta a ser encarcerado. Entretanto é-nos apresentado o Esquadrão de Vôo, Roger Bartlett (Attenborough), escoltado ao campo por membros das SS, suspeito de ser cabecilha de várias tentativas de fuga nos vários campos por onde passou. O tenente de Vôo Bob Hendley, (Garner) é mostrado como o homem que consegue obter tudo aquilo que lhe é pedido, uma espécie de contrabandista (quase como que um Han Solo, digamos assim).

Incentivados pelo seu dever e devoção em causar o maior número de distúrbios possíveis atrás das linhas inimigas, um grupo de oficiais, liderados por Bartlett, começam a arquitectar um plano de fuga, que envolverá a escavação de dois túneis, aos quais são dados os nomes de código “Tom” e “Harry”. A primeira metade do filme é então passada em volta da elaboração dos vários projectos constituintes para a “Grande Evasão”. É nesta altura que podemos ver que este é um filme que visa entreter, mais do que relatar, pois a vida no campo é mostrada quase como que um “pseudo campo de férias”, onde os oficiais eram instruídos a passar o tempo com as mais diversas actividades incluindo jardinagem e observação de pássaros (imaginem a minha cara, quando é dito que serão dados instrumentos de jardinagem aos prisioneiros e lhes é dito para as usarem expressamente para jardinagem e não para escaparem), prisioneiros que passam vinte dias na solitária saem de lá com a barba feita, confecção de roupas para a fuga (num espaço que quase parecia de modista profissional).
A segunda metade do filme mostra o que sucede depois da fuga. Sem querer entrar em demasiados detalhes digamos que temos algumas perseguições tão excitantes como uma ida do meu quarto à casa de banho (aqui já é o rapaz que nasceu numa época muito diferente da do filme a falar, pois não tenho dúvidas de que entreteve o público da altura). Todos estes elementos culminam num final muito anti-climático e algo desapontante.

Em suma, “The Great Escape” é um filme que entretém, nada mais do que isso. Os actores variam em termos da sua performance. Na minha opinião Attenborough é, dos três personagens principais, o que melhor interpreta o seu papel, trazendo a conduta de um “oficial e cavalheiro” inglês e algum drama (pois é palpável a preocupação que o mesmo tem em fazer que o plano seja bem sucedido) com realismo. Por outro lado os americanos acabam por ser medíocres, McQueen parece um rapazola que se ri de tudo e todos, dando a sensação de que se encontra no liceu e não num campo de prisioneiros. Já Garner encara o seu papel com mais seriedade mas mesmo assim de uma forma algo enfadonha (mesmo havendo espaço de manobra para algo mais, envolvendo uma trama com um oficial quase cego que o próprio ajuda). O final é, como já referi acima, bastante anti-climático, dando a sensação de que o filme não chegou a lado nenhum (neste caso eu não li o livro em questão nem sei, em detalhe, como ocorreram estes eventos na realidade), o que me deixou algo desapontado.
Apesar de tudo o que escrevi, é um bom filme de entretenimento e passei os 172 minutos entretido. Sendo que é o esperado de um filme deste género não desapontou.

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