“Paris When It Sizzles” – 1964

Às vezes sabe bem ver coisas fora da lista que se tem seguido. Sabe ainda melhor quando é um filme com dois actores que nos dá gosto ver: neste caso, William Holden e Audrey Hepburn.

Paris When It Sizzles é um filme curioso e que é capaz de interessar sobretudo a quem se interessa por escrita para televisão e cinema ou escrita em geral. Conta-nos a história de um argumentista famoso, Richard Benson, que, a dias de entregar o manuscrito mais recente se vê a braços com um bloqueio criativo. Entra em cena Gabrielle Simpson, protagonizada por Audrey Hepburn, uma dictalógrafa encarregada de passar a limpo o argumento que, julga ela, já está escrito. Quando chega ao apartamento de Richard descobre que não só não há argumento como não há ideias, apenas uma estrutura muito vaga. Juntos começam a imaginar uma possível história, intitulada The Girl Who Stole the Eiffel Tower, sendo eles próprios os protagonistas.

Nestes delírios criativos há paródias a quase todos os clichés Hollywoodescos e há cameos deliciosos de actores como Tony Curtis, Marlene Dietrich e Mel Ferrer (na altura casado com Audrey Hepburn). Até temos um cheirinho a Sinatra! Quando se entra no espírito do filme os momentos de comédia são brilhantes de tão disparatados (o diálogo das girafas é memorável) e ajuda – muito – ter como protagonistas dois actores aparentemente dispostos a entrar na brincadeira.

Contudo há sempre um contra. No final do filme só queremos que William Holden se cale um bocadinho e, a nível de duração, estica bastante. Vê-se bem e percebe-se o porquê de esticar – afinal há tanta coisa para parodiar – mas podia-se ter tido o mesmo efeito com um filme ligeiramente mais curto. E continuo a achar que Audrey Hepburn (espectacularmente vestida por Givenchy, devo acrescentar) não era muito boa actriz. Adoro vê-la por ser lindíssima, elegante, ter estilo e conseguir puxar a atenção de quem a está a ver mas, a nível de representação, tenho as minhas dúvidas. É expressiva mas talvez seja demasiado expressiva, há alturas em que parece forçado. Claro que posso estar a dizer uma barbaridade enorme, atenção. Mas já tenho uma quantidade considerável de filmes dela vistos e, embora os adore… não sei. Não sei mesmo explicar melhor o que quero dizer.

Factos interessantes sobre a filmagem? Foi a segunda vez que William Holden e Audrey Hepburn fizeram um filme juntos. O primeiro foi Sabrina, durante o qual ambos tiveram um breve relacionamento. Este alegadamente acabou porque Hepburn queria ter filhos e Holden tinha feito uma vasectomia. Neste reencontro em 1964 diz-se que Holden fazia de tudo para tentar reconquistar uma já casada Hepburn, o que tornou o ambiente por trás das câmaras algo tenso. Também, não ajudou o problema de Holden com álcool que foi, aliás, a razão para Tony Curtis ter aparecido no filme. Durante a semana em que se filmaram as cenas com ele Holden teve direito a um período de reabilitação. As coisas que se aprendem, não é?

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