“Rainhas que o povo amou: Estefânia de Hohenzollern” – Maria Antónia Lopes

O meu interesse no reinado de D. Pedro V deve ter nascido, mais coisa menos coisa, quando andava no quinto ano. Lembro-me de estar a folhear um livro em casa da minha avó sobre personalidades portuguesas, ver um quadro dele e ter pensado que ali estava um senhor bastante fofinho. Com o passar do tempo, à medida que ia lendo mais sobre ele, mais me apercebia que não era fofinho de todo mas sim ligeiramente como eu: tímido, introvertido, sorumbático, que retirava mais prazer da sua solidão do que no convívio com outras pessoas (embora aqui haja uma pequena diferença mas este não é o sítio para discutir isso). Há uns anos, a Círculo de Leitores lançou uma colecção de biografias de rainhas de Portugal e, num desses volumes, partilhado com a biografia de D. Maria Pia de Sabóia, vinha a rainha D. Estefânia, mulher de D. Pedro V. Encomendei sem hesitar e, quando chegou, pu-lo na estante e nunca mais lhe peguei.

Que é uma coisa que tendo muito a fazer. Adiante.

Peguei nele na passada semana. Após batalhar com o novo acordo ortográfico (tive que reler a frase “a rainha teve uma receção” duas vezes, ainda pensei que estivesse doente ou qualquer coisa) descobri uma biografia sucinta – pudera, coitada – e isenta de detalhes supérfluos. Ou seja, precisamente o tipo de biografia que gosto de ler. A autora nunca, ou muito raramente, se dá ao luxo de tecer comentários pessoais. As afirmações que faz são excelentemente refutadas por citações retiradas de diários e cartas de pessoas que testemunharam os acontecimentos. Fica-se com uma ideia algo diferente do mito que rodeia D. Estefânia e conhece-se melhor o carácter de D. Pedro V, destruindo também algum do mito de “rei santo” que lhe é associado. Portanto, gostei. E é uma leitura curta – cerca de noventa páginas. A maior parte do livro é dedicada, como já referi, a Maria Pia de Sabóia, esposa de D. Luís I, o rei banana.

Recomendo se tiverem interesse neste período da história do nosso país e apenas nesse caso. Não vale a pena gastar dinheiro por noventa páginas de outro modo. Mas, pelo amor de Deus, se realmente querem saber mais sobre D. Estefânia leiam este em vez daquele que foi publicado recentemente (D. Estefânia – Um Trágico Amor) que aparentemente estica a história por duzentas e oito páginas e deve ter o mesmo requinte literário de uma biografia escrita por Isabel Stilwell. Ou pior.

2 thoughts on ““Rainhas que o povo amou: Estefânia de Hohenzollern” – Maria Antónia Lopes

  1. Tenho preguiça de saber que mais tem essa colecção, mas referente ao tempo de Pedro I até ao João IV, tem algo que achas que valha a pena?

    Não fales tão mal da Stilwell, o da Filipa de Lencastre é muito giro.😦

    • A minha mãe também gostou desse mas o da D. Maria II é um desastre. Hm, quanto ao resto é veres os nomes das rainhas deles e procurares na colecção porque acho que tem mesmo de todas.

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