“Gone Girl” – Gillian Flynn

Há uma razão para gostar de ler livros da moda: poder falar sobre eles com conhecimento de causa. Estou sempre a dizer que li a saga Twilight toda com esse propósito e ao menos tenho o alívio de consciência que, quando digo que é mau, digo porque sei que é realmente mau. Desta vez, o livro da moda foi Gone Girl, de Gillian Flynn (ex-escritora do Entertainment Weekly, o que me fez torcer um bocadinho), e tinha toneladas de críticas – incluindo autocolantes em toda a superfície do livro – a afirmar que era o melhor thriller dos últimos tempos. Então comprei, arregacei as mangas e comecei a lê-lo.

Todos os thrillers, excepto os muito, muito, muito maus têm a vantagem de serem leituras extremamente rápidas – “leituras de praia”, chamemos-lhes assim. É um género com o qual sou bastante esquisita, para ser sincera. Mas adiante. Flynn não se saiu nada mal neste seu terceiro livro dentro do género e tem o mérito de me ter posto curiosa quanto aos outros dois, Sharp Objects e Dark Places. A história? Premissa bastante simples: Nick e Amy Dunne estão casados há cinco anos quando esta desaparece misteriosamente. Todas as provas apontam contra Nick, etc., etc. Claro que há um twist e lamento dizer que esse twist é onde a narrativa começa a falhar. Está muito bem pensado e é bastante refrescante ler algo de uma perspectiva… diferente do habitual mas é revelado antes de metade do livro. O efeito é brutal, como previsto, mas cedo se torna gasto e começa a perder o encanto, fazendo com que o leitor se pergunte se não há mais nada para além daquilo. Se for esse o efeito desejado, Flynn conseguiu-o: a cem páginas do fim dei por mim a duvidar de tudo o que lia. Se não for, é algo a ser trabalhado. A autora diz, numa entrevista que a minha edição traz no fim, que um dos autores que mais admira é Dennis Lehane. Primeiro, não me surpreende porque há muita coisa semelhante, segundo, Flynn podia aprender o timing certo para revelar os twists com Lehane.

O final também é anti-climático mas tem o mérito de ser imprevisível. Neste género queremos sempre que a justiça triunfe e, nesse sentido, o livro quebra algumas barreiras. Recomendo se querem uma leitura rápida e empolgante mas não esperem o “melhor thriller do ano”. Ou então podem sempre esperar pelo filme de David Fincher pelo qual estou muito ansiosa. Adoro a forma como ele apresenta thrillers negros e, com Flynn encarregue do argumento, tem a possibilidade de ser um excelente filme. Agora, por favor, a Reese Witherspoon é uma boa escolha mas pensem na Mélanie Laurent também. Pode ser, pode? Obrigado!

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