“Whitechapel” – 2008

Este pequeno texto aborda só a primeira temporada da série Whitechapel da ITV. Porque, sinceramente, não vejo mais nenhuma.

Depois de ter adorado (sublinhar adorado) Ripper Street resolvi seguir uma sugestão e ver Whitechapel. Na série, uma esquadra de polícia dos dias de hoje é confrontada com sucessivos copycats de assassínios do tempo em que o bairro era (mais) problemático. O assassino que figura na primeira temporada, é, claro, Jack the Ripper. O grande problema aqui é ser tudo óbvio. Ao ver certa cena do primeiro episódio disse “É este” e acertei. Detesto quando isso acontece, particularmente quando a trama se prolonga por três episódios. Porque, de resto, tem coisas giras. É interessante ver como com toda a tecnologia de hoje em dia os polícias se viam tão em branco como em 1888. Também achei giras as pequenas Jack the Ripper tours que nos davam ideia de como os sítios onde os assassinatos foram cometidos são hoje. Mas de resto é… é sensaborão. Muito sensaborão. Tem alguns momentos de comédia mas mesmo esses são secos, sequinhos.

Se querem ver algo com o bastante jeitoso Rupert Penry-Jones aconselho antes a adaptação de Persuasion, de Jane Austen, de 2007. Ao menos tem-se a certeza de que a história é boa.

“Ripper Street” – 2012

Os ingleses são realmente mestres no que toca a séries de televisão (e filmes e literatura mas não vamos por aí, OK?). Depois de ter ficado parva com a qualidade de Broadchurch, sobre o qual ainda não escrevi porque há muito pouco de mau a dizer, decidi experimentar Ripper Street num acesso de vontade de ver mais coisas com o Matthew MacFadyen. E fiquei maravilhada porque a série tem tudo, tudo, para eu gostar.

A começar pelo setting: época vitoriana. Mas não uma altura qualquer: a série começa seis meses depois dos ataques de Jack, o Estripador, e foca-se na divisão policial que esteve encarregue do caso e, como é mais que sabido, falhou em apanhar o culpado. Vimos assim como uma esquadra formada para um único propósito se ergue das cinzas e tenta estabelecer algum respeito no complicado bairro de Whitechapel após ter falhado os seus cidadãos. O personagem principal é Edmund Reid – Matthew MacFadyen – e sim, Reid existiu mesmo. Também temos alguns snippets do inspector Abberline, outro dos principais personagens do episódio do Estripador. Cada episódio trás um caso diferente que, de uma forma ou de outra, contribuem para um espectacular desenvolvimento de personagem. A representação é excelente: tirando MacFadyen conta com Jerome Flynn (o Bronn de Game of Thrones) e Adam Rotherberg como um ex-Pinkerton com demasiados segredos. A série aborda ainda os desenvolvimentos e acontecimentos da época, o que para mim foi delicioso: há uma pequena conversa sobre o metro de Londres, que está na altura a chegar a Whitechapele o foco no avanço dos métodos forenses é excelente. Aliás, o próprio Reid foi um dos primeiros aeronautas, facto que espero que seja focado na segunda temporada. E até há um episódio com cenas num manicómio e que fala de lobotomias.

Claro que há aqui muita ficção. Quando vamos ver as datas dos acontecimentos retratados pela série há muitas incongruências. Mas o que é que isso interessa quando o produto final é bom? É como li no outro dia numa crítica a The White Queen: foge um bocadinho à história mas é uma série de televisão, tem que ter o seu q.b. de drama. Portanto vejam. Se gostam da época vitoriana e das histórias sórdidas do bairro de Whitechapel é uma série a não perder. E são só oito episódios! Estão à espera de quê?!

“Uneasy Lies The Head” – Jean Plaidy

Uneasy Lies The Head, de Jean Plaidy, é um livro de ficção histórica que nos introduz a um período bastante importante da História de Inglaterra: a junção das casas de Lancaster e York através do casamento de Henry Tudor com Elizabeth of York que culminou no início da dinastia Tudor.

A imagem é feia mas é igual à capa da edição velhinha e amarela que tenho. Mil perdões.

Continuando. O livro abrange os primeiros anos do reinado de Henry VII – começa com o nascimento do primeiro filho, Arthur – e acaba com a ascensão ao trono de Henry VIII. Mostra-nos como Henry VII se encontrava numa situação delicada já que a sua revindicação ao trono era muito fraca e, para agravar a situação, o mistério dos filhos de Edward IV e Elizabeth Woodville continuava (e continua) por resolver. Henry VII viu-se a braços com inúmeras revoltas liderados por supostos pretendentes ao trono que se faziam passar pelas crianças desaparecidas na torre até que resolveu o assunto como os reis os resolviam na altura – através de intrigas. O livro fala-nos também de Catarina de Aragão e tem algumas secções interessantes sobre Fernando e Isabel de Espanha. A história de Catarina de Aragão interessa-me imenso porque mostra na perfeição o quão ávaro Henry VII era e o quão pouco os pais “reais”, chamemos-lhe assim, se preocupavam com as filhas a partir do momento em que eram entregues para casamento. Foi uma mulher que sofreu imenso na sua viúvez e no casamento com Henry VIII. Portanto, como se pode ver, há imensos fait-divers interessantes. Mas o livro tem uma grande falha: está pessimamente escrito.

Há uns anos tentei ler um livro da mesma autora sobre Anne Boleyn e não consegui passar das primeiras páginas precisamente pelo método de escrita. Não há respeito por regras gramaticais, não há vírgulas onde deviam haver e há situações absolutamente improváveis como, por exemplo, um futuro Henry VIII de três anos a falar filosoficamente com o irmão Arthur. Com todas as palavrinhas no sítio e com um raciocínio claríssimo. Ora convenhamos que, embora se diga que o rapaz era avançado para a idade, uma criança de três anos não tem noção suficiente do que se passa à sua volta para discutir o reinado do pai com o irmão mais velho e dar opiniões. Também há momentos em que Plaidy se esquece completamente das personagens. No início fala-se muito no confronto de egos entre Elizabeth Woodville e Margaret Beaufort, o que dá uma dinâmica interessante aos diálogos mas, a partir do momento em que a morte de Woodville é narrada, Beaufort cai completamente no esquecimento. Mas completamente. Não volta a ser mencionada uma única vez. Isto parece-me um erro crasso já que Margaret teve um papel proeminente na vida do filho e na educação dos netos. Aceito que não é personagem principal na história que a autora pretende relatar mas… caramba, é a Margaret Beaufort.

Jean Plaidy não tem, então, o dom para tornar História apelativa como, por exemplo, Alison Weir tem. A nível de factos está muito bem contestado, não há uma informação que esteja fora do sítio mas é tudo tão… chato, sem personalidade, sem acção, sem aquele elemento crucial que faz o leitor torcer pelas personagens históricas e adoptar favoritos. Como a Margaret Beaufort, não é, Jean? Aparentemente a senhora também escreveu sagas sobre o reinado da minha adorada Vitória. Até tremo só de pensar.

“Man of Steel” – 2013

Bem, mas que filme tão chato. Nem me vou dar ao trabalho de procurar imagem.

Esperei por este filme com alguma antecipação. Não sou seguidora dos comics como a minha amiga Sandra nem vi os filmes com o Christopher Reeve mas achei que, com Zack Snyder ao leme, podia ser um reboot interessante. Não é. Snyder poupa-nos ao uso excessivo de câmara lenta mas o filme é excessivamente longo e falta-lhe muita alma. Aliás, achei o Clark totalmente desprovido de personalidade. Está para ali, só isso. Visualmente é bom, especialmente em IMAX. A banda-sonora adequa-se bem às cenas. Mas a história? Estava à espera de algo bastante diferente. Foi uma desilusão.

E pessoas do IMAX do Colombo, gostava de sair de uma sala de cinema com os tímpanos intactos, OK? OK. Mas prometo que vou aí ver o Pacific Rim.

“The Thirty-Nine Steps” – John Buchan

Este foi mais um daqueles livros que não sabia que tinha na estante. A minha mãe tinha-me falado num livro do mesmo senhor cujo personagem sofria de gastrite crónica e só podia comer sopas e cozidos. Identifiquei-me. Ao arrumar a estante vi que tinha este entalado entre dois livros enormes e, quando acabei o Gone Girl, estando no mood de thrillers, resolvi experimentar. Não gostei.

E é estranho não ter gostado porque, em teoria, John Buchan é um dos mestres do género. E andou na Universidade de Glasgow (pontos bónus para ele). O livro conta-nos a história de Richard Hannay que se encontra, após o assassinato de um desconhecido que aparece morto no seu quarto, no meio de uma teia de espionagem política que pode ter consequências desastrosas. Hannay, em fuga, procura refúgio na zona florestal de Galloway, na Escócia. O livro divide-se em pequenas histórias sobre o percurso de Hannay e as pessoas que vai encontrando. E é isso. Demora-se mais na parte pitoresca do que propriamente na resolução do problema em si. Mas ao menos fá-lo em apenas 103 páginas.

Não digo que não seja interessante e que não esteja bem escrito. Prima por ser conciso. Mas não me fez ficar agarrada a cada página como gosto que me aconteça com livros do género.