“Breathe In” – 2013

Breathe In é o novo filme de Drake Doremus, o jovem realizador do surpreendente Like Crazy (2011).

A minha adorada Felicity Jones volta a interpretar o papel de uma estudante de intercâmbio. Com um talento especial para tocar piano, Sophie vai estudar para os E.U.A durante um semestre e tem como família de acolhimento os Reynolds. Keith Reynolds é um violoncelista cujo espírito livre e criativo lhe foi tirado pelo nascimento da filha, Lauren, e pela obrigação de ser sustento da família. Quando Sophie e Keith se conhecem há uma ligação imediata. Mas claro que a coisa não pode correr bem, não é?

É um filme bonito de se ver e conta com uma excelente direcção de actores: Jones é excelente, como sempre, e Pearce dá a Keith uma vulnerabilidade e tristeza que causam impacto no espectador. Mas, fora isso, o filme não conta nada de novo e tem uma progressão muito lenta. O que começou por ser uma premissa com potencial acabou por se desenvolver num melodrama muito desnecessário. Tive muita pena que assim fosse. Gostei muito do Like Crazy e da subtileza com que as relações humanas lá são retratadas e esperava o mesmo deste filme. Claro que a relação entre Keith e Sophie está muito bem representada mas é em grande parte devido aos actores, que a tornam frágil e subtil. Não deve muito ao argumento que, aliás, não dá aos actores grande espaço de manobra.

É um esforço interessante mas que não supera o Like Crazy. Contudo, se gostam de filmes bonitos e de boas representações experimentem dar uma espreitadela.

Filmes portugueses há muitos!

Allô Allô! Não, não é A Menina da Rádio, “nem a traidora da franja”. Também não é A Severa, nem mesmo a Maria Papoila!

Estreia nacional de Ana Ribeiro nos The Misfits and the Losers! Tive grande prazer em aceitar o convite para participar neste excelente blogue. Estudante de Tradução (último ano, thank God!), aspirante a escritora de best-sellers e film enthusiast, estou pronta para vingar neste blog business! Primeiramente, desejo agradecer à minha estimada colega pela minha inclusão neste simpático blog e espero que ela não se arrependa da escolha que fez! 🙂

O assunto que me traz aqui hoje é nada mais, nada menos do que Filmes Portugueses! Ah, mas desenganem-se! Não vos venho falar daquelas badalhoquices com a Soraia Chaves, que até esteve muito bem no papel de prostituta Maria dos Prazeres (nome adequadíssimo) em “As Linhas de Wellington”! Não, não, não! Nada disso!

Venho falar-vos de Filmes Portugueses do tempo dos Afonsinhos! São filmes normalmente realizados durante do Estado Novo (a preto e branco), sem grandes efeitos especiais, a banda sonora é Fado e pelo menos uma das personagens é extremamente desastrada. Normalmente, a juventude de hoje não acha muita piada ao Vasquinho e o seu “CHAPÉUS HÁ MUITOS, MEU PALERMA!”, mas temos de admitir, foram estes filmes que fizeram a época dourada do Cinema Português e a seu esquecimento talvez tenha contribuído para o declínio da nossa tradição naquilo que conhecemos hoje no mundo do Cinema Nacional.

Vi a maior parte deles e uns são muito bem escritos, piadas refinadas ao estilo de época, música mais do que adequada e uma montagem boa tendo em conta que eram feitas juntando as fitinhas de níquel e colando-as umas à outras.

Não posso falar nestes filmes sem mencionar grandes nomes como João Bastos (realizador), Cottinelli Telmo (realizador e arquitecto – conheço uma familiar dele, uma óptima Professora de Inglês), Leitão de Barros (realizador), Arthur Duarte (realizador também), Beatriz Costa (dispensa apresentações), António Silva (idem), Vasco Santana (ou Vasquinho para os amigos), Maria Eugénia, Teresa Casal  (a.k.a Cana Rachada :D), Ribeirinho (não é meu primo, não senhor, mas é um bom actor), Maria Matos e muitos mais.

Let’s face it! Muitos que dizem que não gostam de espinafres, na verdade nunca os provaram. A mesma coisa acontece com os filmes portugueses. Os comentários inteligentes de gente que nunca gastou um décimo de dioptria a ver um destes filmes e a apreciá-los, não pode ter uma opinião sobre eles e por conseguinte, não terá argumentos que suportem as idióticas observações que tenho ouvido.

Portanto, em qualidade de assídua espectadora deste tipo de filme, vim apresentar-vos as melhores maneiras de se passar a tarde, no sofá, na cama, no chão, em cima da mesa, onde quiserem… (dirty minds!).

Apresento-vos, por agora uma sugestão:

“A Canção de Lisboa”, realização e guião assinados por  Cottinelli Telmo, produzido pela Tobis Portuguesa e estreado a 7 de Novembro 1933 no Sãon Luiz conta a história de Vasquinho (Vasco Santana), estudante de medicina que sobrevive na capital à custa da mesada das tias de Trás-os-Montes que nunca vieram a Lisboa e que o consideram um aluno exemplar. Contudo, o baldas está a borrifar-se paras as aulas e quer é retiros e arraiais, cantigas populares e mulheres bonitas. O pior dá-se quando as Tias de Trás-os-Montes lhe mandam uma carta a dizer que o vêm visitar.

Do restante elenco fazem parte os actores:

António Silva

Beatriz Costa

Alfredo Silva

Ana Maria

Artur Rodrigues

Coralia Escobar

Eduardo Fernandes

Elvira Coutinho

Fernanda Campos

Francisco Costa

Henrique Alves

Ivone Fernandes

José Victor

Júlia da Assunção

Manoel de Oliveira (sim, sim, o velhote de 100 anos que ainda anda aí fresco que nem uma alface a fazer filmes)

Manuel Santos Carvalho

Maria Albertina

Maria da Luz

Silvestre Alegrim

Sofia Santos

Teresa Gomes

e Zizi Cosme.

É um filme fácil de encontrar, a edição mais recente inclui mais 3 minutos de filme e o som restaurado o que é ÓPTIMO! Portanto, provem espinafres! Não vos garanto que fiquem como o Popeye, mas ao menos experimentem porque vale a pena, sempre passam mais uns minutos com os vossos velhotes e ficam mais informados sobre o que era Portugal e o que é realmente o Cinema Português de então.

Despeço-me, por agora, com um excerto:


Bom filme!

“Before Midnight” – 2013

Jesse e Celine… o que é que eu faço com vocês?

Em 1994 Jesse e Celine conheceram-se num comboio. Dez anos depois encontram-se por acaso em Paris e voltam a apaixonar-se. Em 2013 voltamos a encontrá-los de férias na Grécia, com duas filhas e a atravessar a crise dos quarenta anos.

Muitos dizem que Before Midnight é o melhor filme da trilogia. Não gosto de pensar assim. Para mim, funcionam os três como um todo porque cada um é um perfeito retrato da maturação de uma relação e das ideias e motivações características da idade dos protagonistas na altura. Portanto é natural que este seja o mais maduro dos três, pois os personagens principais já se encontram numa fase das suas vidas em que o desencantamento é um receio que está sempre à espreita. E é precisamente disso que o filme fala: do medo do desencantamento. Pelo amor, pela vida. A ideia de que o amor é a única coisa que importa ao final do dia é aqui destruída pelas voltas cruéis da realidade: o trabalho, o divórcio, a maternidade, a rotina, o envelhecimento. O passar do tempo é abordado nas conversas profundas e realistas às quais temos vindo a ser habituados. As inseguranças sobre a rectidão daquilo que decidimos para o resto das nossas vidas. O próprio peso da frase o resto das nossas vidas. E a realidade do que é, realmente, o amor e uma relação: cedências e compromissos. E aceitação.

Não tenho mais nada a escrever. Vejam por vocês.  A magia dos diálogos é algo que fica convosco durante muito tempo e não há nada que substitua aquela sensação de ter visto um bom filme. Gostava que este não fosse o último filme. Queria voltar a passar uma hora e quarenta minutos com Jesse e Celine, daqui a dez anos.

“Dracula”: o que ficou do primeiro episódio

Antes de mais quero apresentar a nova colaboradora deste cantinho: a minha querida colega de França no século XX, a Ana Ribeiro! Partilha também um grande carinho por literatura e por filmes clássicos. Espero, Ana, que gostes do teu tempinho por aqui. É um cantinho muito humilde mas sabe bem escrever, de vez em quando.

Quanto ao assunto a que o título se refere, aqui vamos nós. Contém spoilers.

Estreou ontem a nova série da NBC, que pega num clássico da literatura e do cinema: Dracula, com Jonathan Rhys Meyers.

Quando se fala em adaptações de Dracula a pergunta que imediatamente surge é “o que é que ainda não foi feito?”. Temos as versões minimamente fiéis ao clássico de Bram Stoker, temos a adaptação livre – e excelente – de Coppola e temos aqueles completos desperdícios de tempo e dinheiro como o Dracula 2000. A versão de Coppola seguiu fielmente as nuances mais ténues implicadas pela obra original como, por exemplo, a grande carga erótica disfarçada nas entrelinhas. E inventou, claro. Mas aquilo que foi inventado encaixou perfeitamente no filme apresentando-nos um Dracula mais humano, com mais motivação do que ser simplesmente um corpo estranho à política imperialista britânica. Quando ouvi falar desta nova adaptação fiquei curiosa: qual das versões iriam escolher adaptar? A original ou a da cultura popular?

A resposta é, aparentemente, a segunda com muito material original à mistura. Ainda não sei se acho o Jonathan Rhys Meyers convincente como Dracula porque não sou muito fã do actor (tirando o papel que fez em Velvet Goldmine). Nesta série, Dracula é reavivado por Van Helsing e assume o papel de um empresário visionário norte-americano que pretende subjugar as grandes forças capitalistas britânicas, nomeadamente a do petróleo. O seu criado pessoal é, claro, Renfield, interpretado aqui por um actor negro. Logo duas reinterpretações do original: Van Helsing como aliado e Renfield de uma raça que não a branca. Carfax Abbey aqui é Carfax Manor, uma mansão enormíssima com todos os luxos, e Mina Murray é uma cientista e não uma simples professora. A única coisa que, até agora, foi retirada das adaptações interiores foi a história de amor entre Dracula e Mina. A parte presente ainda não foi explorada mas vimos, através de flashbacks, que tiveram uma relação apaixonante no passado. Tal como, na versão de Coppola, tiveram Dracula e a sua Elizabetha. Estou muito curiosa com o que vão fazer disso nesta versão embora, como já referi, nem o actor principal nem a actriz que faz de Mina Murray – Jessica de Gouw – me convençam. Mas vamos ver. O que mais gostei foi da total make-over de Katie McGrath, habitualmente morena de olhos azuis e aqui uma deslumbrante e loiríssima Lucy Westenra. O que gostei menos foi… bem, foi o resto da história. Tirando a possível história de amor acho que temos aqui uma história meio rebuscada de vingança da parte de Dracula contra uma suposta Ordem do Dragão. Ao que pergunto: o Dracula não é da linha Dracul, sendo Dracul Dragão? Então o que é que se passa aqui? Hm?

A coisa gira é que o Dracula desta série é mesmo, assumidamente, o Vlad Tepes. Vou continuar a ver por puro entretenimento, já que Once Upon a Time in Wonderland falhou redondamente nesse campo.

“Elementary” – Primeira Temporada [2012/2013]

Ora então boa noite.

Hoje venho-vos falar de Elementary, a série que me preencheu as noites durante a passada semana e me fez ficar acordada até à uma da manhã ontem. Antes de mais, quero afastar já quaisquer críticas: adoro a versão da BBC. OK? OK.

Quando se começou a ouvir falar de uma adaptação norte-americana das histórias de Sherlock Holmes houve uma reacção bombástica por parte dos fãs da série da BBC da qual, não tenho vergonha em admitir, fiz parte: que era um disparate, que os norte-americanos não podiam ver uma série original que queriam logo copiar, mas que parvoíce é esta de tornarem o Watson numa mulher e ainda por cima asiática, vão estragar, vai ser horrível, ainda por cima o Miller e o Cumberbatch são amigos, que horror, fim do mundo, etc. Até que o espaço entre as temporadas de Sherlock começou a ser difícil de suportar e uma pessoa pensa “Hm, já agora deixa lá ver só para passar o tempo”. Vi os primeiros seis episódios ainda antes de ir para a Escócia. Lembro-me que na altura gostei, ainda me ri um bocadinho mas achava que de Sherlock e Watson os personagens só tinham o nome e que os episódios seguiam todos uma fórmula muito CSI-esca. O que não é nada o meu género. Por isso, parei.

Até Domingo passado, quando apanhei por acaso um episódio na TV e me lembrei que tinha deixado a série a meio. Meu dito meu feito. E mudei radicalmente de opinião.

Para começar, não se deve comparar sequer Elementary com Sherlock. A última faz um excelente trabalho, segue os contos de Doyle com um twist moderno, o humor é excelente e tem uma britishness inerente que é simplesmente deliciosa. Elementary, por seu lado, desenvolve mais os personagens tornando-os também contemporâneos, produtos do nosso tempo. O que está subentendido em Sherlock, em Elementary é explorado sem medos – dou como exemplo o problema de Holmes com droga. O Sherlock de Miller não é tão alheado da sociedade; tem dificuldades em compreendê-la na mesma e consegue ser um indivíduo estupidamente difícil mas está inserido nela. E é muito mais complexo. Quanto a Watson, a ideia de lhe mudarem o sexo foi excelente. Não só facilitam um futuro romance entre os personagens (que está a ser muito bem construído) mas conseguiram criar um excelente modelo a seguir. Uma mulher num mundo de homens que consegue manter a sua personalidade.

Elementary falha um pouco na continuidade. O décimo segundo episódio é um ponto de viragem na série, onde o passado de Sherlock lhe vem fazer uma visita na pele de Sebastian Moran e onde pairam as presenças de Moriarty e Irene Adler. Mas depois disso não há desenvolvimento nenhum até ao vigésimo primeiro. Digo, há desenvolvimento de personagens e da dinâmica Holmes/Watson, mas a história não anda para a frente nem para trás. Aqui a versão da BBC ganha. Ao terem temporadas de apenas três episódios conseguem-se cingir ao essencial sem ter necessidade de criar fillers. A vantagem de Elementary é que os fillers, embora estejam dentro do esquema CSI de que já falei, estão escritos de maneira muito inteligente e têm momentos pequenos que valem a pena.

O twist final é absolutamente brilhante, fazendo da série algo que não tem medo de desconstruir ideias pré-concebidas nem de inverter papéis de poder. Só tenho receio é que tenham esgotado logo as melhores ideias para um fio condutor agora na segunda temporada mas isso, meus caros, é acompanhar e ver o que acontece.

Foi uma boa surpresa.

“The Conjuring” – 2013

James Wan tem vindo a revolucionar o género de terror nos últimos anos. Trouxe uma lufada de ar fresco com o primeiro Saw, que depois foi usado e abusado nas sucessivas sequelas que não têm nem metade do espírito e inteligência do original e, com Insidious, envergou por um reestruturamento do terror sobrenatural: pegou na habitual história de uma família que muda para uma nova casa onde estranhos fenómenos acontecem mas deu um twist que não me recordo de alguma vez ter visto. Estava com muita curiosidade relativamente a este The Conjuring ainda mais por se basear num caso alegadamente verídico – tanto a família como os dois investigadores existiram.

Contando novamente com Patrick Wilson e com a formidável Vera Farmiga, o filme consegue, novamente, pegar em clichés do género e torná-los mais assustadores. O suspense faz-nos sentir saudades do tempo em que este tipo de filme era bom e faz-nos ter um bocadinho de esperança para o futuro, numa altura em que filmes de terror se resumem a tripas e a meninas de biquíni. Mas fiquei muito desapontada com o final. Depois do excelente final de Insidious, que abriu a porta para a sequela que ainda não tive oportunidade de ver, estava à espera de algo igualmente unsettling. Mas o resultado é muito sensaborão, correspondendo à habitual fórmula início calmo+primeiros barulhos+clímax+final calmo. Mas o build-up é muito bom e os sustos estão brilhantemente criados. Recomendo a fãs do género que, como eu, já estão fartos do que hoje em dia se faz em nome do género. É uma lufada de ar fresco!

(Mas se querem mesmo algo com sabor a novo vejam o Insidious.)

“The Last Days of Anne Boleyn” – 2013

Este artigo vai ser muito pequeno.

O documentário é de apenas um episódio de uma hora e fala, como o nome indica, dos últimos dias da segunda esposa de Henry VIII. Foca-se sobretudo nos motivos que levaram à sua execução e na exploração das várias teorias existentes. Conta com participações de Hillary Mantel (Wolf Hall, Bring Up The Bodies), Alison Weir (demasiados para escrever aqui), uma senhora nova de quem gostei bastante chamada Suzannah Lipscombe e a infame Philippa Gregory.  Também aparece um senhor de quem gostei imenso mas cujo nome agora não me ocorre. David Starkey? Also assim.

Pessoalmente não sou nada fã da Anne Boleyn. Sei pouquíssimo sobre ela para além do que é lugar-comum mas a opinião que tenho é de que era uma mulher extremamente arrogante e ambiciosa. E este documentário tem a grande vantagem de nunca a vitimizar. Algumas historiadoras simpatizam com a sua história mas nenhuma delas pensa que o que aconteceu não foi, em parte, por culpa das suas acções. Pode ter sido uma mulher do seu tempo e pode ter sido vítima de acusações injustas (tenho particularmente dúvidas quanto à de incesto). E acredito, sim, que foi alvo de conspirações por parte de Cromwell, inventadas a mando ou não de Henry que já estava de olho na Jane Seymour. Mas não tenho dúvidas nenhumas de que Anne muito provavelmente seduzia homens fora do casamento e, nalgumas ocasiões, possa ter conspirado com eles. Mesmo que fosse conversa por conversa. Lá está, não tenho conhecimentos para o afirmar, mas é a ideia que tenho dela.

O que é certo é que ficou sem cabeça, o que foi um outcome giro para tudo o que Henry fez para conseguir casar com ela. Na mentalidade da época, quase podia ser considerado uma espécie de castigo divino. Ai queres-te divorciar da Catherine e ser chefe da Igreja Anglicana? Então toma, agora a tua mulher vai ter um aborto de um miúdo mal-formado e vai-te fazer a vida negra por ser inteligente, nariz empinado e ambiciosa. Não admira que todas as outras tenham sido submissas e que, quando apareceu outra que lhe pudesse ter feito frente (Anne of Cléves), a coisa tenha corrido mal.

Recomendo o documentário, sobretudo pelos comentários da Hillary Mantel. Que senhora adorável e inteligente.