“Dracula”: o que ficou do primeiro episódio

Antes de mais quero apresentar a nova colaboradora deste cantinho: a minha querida colega de França no século XX, a Ana Ribeiro! Partilha também um grande carinho por literatura e por filmes clássicos. Espero, Ana, que gostes do teu tempinho por aqui. É um cantinho muito humilde mas sabe bem escrever, de vez em quando.

Quanto ao assunto a que o título se refere, aqui vamos nós. Contém spoilers.

Estreou ontem a nova série da NBC, que pega num clássico da literatura e do cinema: Dracula, com Jonathan Rhys Meyers.

Quando se fala em adaptações de Dracula a pergunta que imediatamente surge é “o que é que ainda não foi feito?”. Temos as versões minimamente fiéis ao clássico de Bram Stoker, temos a adaptação livre – e excelente – de Coppola e temos aqueles completos desperdícios de tempo e dinheiro como o Dracula 2000. A versão de Coppola seguiu fielmente as nuances mais ténues implicadas pela obra original como, por exemplo, a grande carga erótica disfarçada nas entrelinhas. E inventou, claro. Mas aquilo que foi inventado encaixou perfeitamente no filme apresentando-nos um Dracula mais humano, com mais motivação do que ser simplesmente um corpo estranho à política imperialista britânica. Quando ouvi falar desta nova adaptação fiquei curiosa: qual das versões iriam escolher adaptar? A original ou a da cultura popular?

A resposta é, aparentemente, a segunda com muito material original à mistura. Ainda não sei se acho o Jonathan Rhys Meyers convincente como Dracula porque não sou muito fã do actor (tirando o papel que fez em Velvet Goldmine). Nesta série, Dracula é reavivado por Van Helsing e assume o papel de um empresário visionário norte-americano que pretende subjugar as grandes forças capitalistas britânicas, nomeadamente a do petróleo. O seu criado pessoal é, claro, Renfield, interpretado aqui por um actor negro. Logo duas reinterpretações do original: Van Helsing como aliado e Renfield de uma raça que não a branca. Carfax Abbey aqui é Carfax Manor, uma mansão enormíssima com todos os luxos, e Mina Murray é uma cientista e não uma simples professora. A única coisa que, até agora, foi retirada das adaptações interiores foi a história de amor entre Dracula e Mina. A parte presente ainda não foi explorada mas vimos, através de flashbacks, que tiveram uma relação apaixonante no passado. Tal como, na versão de Coppola, tiveram Dracula e a sua Elizabetha. Estou muito curiosa com o que vão fazer disso nesta versão embora, como já referi, nem o actor principal nem a actriz que faz de Mina Murray – Jessica de Gouw – me convençam. Mas vamos ver. O que mais gostei foi da total make-over de Katie McGrath, habitualmente morena de olhos azuis e aqui uma deslumbrante e loiríssima Lucy Westenra. O que gostei menos foi… bem, foi o resto da história. Tirando a possível história de amor acho que temos aqui uma história meio rebuscada de vingança da parte de Dracula contra uma suposta Ordem do Dragão. Ao que pergunto: o Dracula não é da linha Dracul, sendo Dracul Dragão? Então o que é que se passa aqui? Hm?

A coisa gira é que o Dracula desta série é mesmo, assumidamente, o Vlad Tepes. Vou continuar a ver por puro entretenimento, já que Once Upon a Time in Wonderland falhou redondamente nesse campo.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s