“To Have and Have Not” – 1944

Consegui finalmente ter um tempinho para acabar este filme (tinha-o começado durante a semana passada mas, no meio de faculdade e remédios e neuras…). E, bem, este filme tem uma coisa curiosa.

Como se pode ler em qualquer página dedicada ao cinema, a história centra-se em Harry Morgan, um americano expatriado na ilha Martinica, que efectua o transporte ilegal de líderes da Resistência Francesa para tentar ajudar a belíssima rapariga que conhece no lobby de um hotel. Como já devem ter calculado, Bogart é Harry Morgan e Lauren Bacall faz as vezes de femme fatale. Realizado por Howard Hawks, o filme conta com um argumento de William Faulkner e Ernest Hemingway, entre outros. Sim, leram bem, William Faulkner e Ernest Hemingway. Mas esta não é, surpreendentemente, a coisa curiosa.

A coisa curiosa é que, independentemente do excelente argumento e da boa realização, o que faz o filme é a química entre Bacall e Bogart. To Have and To Have Not foi o primeiro filme de Bacall, embora ela seja tão, tão boa actriz que nem se nota. E ganhou não só sucesso como actriz como também ganhou um marido. Lauren conquistou completamente Bogart, como é sabido. E este filme retrata o desenrolar desse romance. E é uma coisa tão óbvia que por vezes se torna indecente de ver por ser uma ligação tão íntima, tão pessoal. Bogart mostra-nos um sorriso bestial sempre que olha para Lauren. Ela, por sua vez, não consegue esconder o brilho nos olhos e aquele sorriso irónico que tão bem a caracteriza. É a arte a imitar a vida real no seu melhor exemplo. Resta-nos apenas imaginar como seria por trás das câmaras.

O filme é caracterizado como pertencendo ao género noir mas não consigo concordar. Primeiro, a história apresenta uma forte vertente moral. Segundo, não temos a femme fatale a estragar as voltas ao personagem principal. E terceiro, aqui as emoções não estão de todo contidas. Pelo contrário. Recomendo vivamente para quem se interessa pela idade de ouro de Hollywood e por um dos seus casais mais populares. É quase ternurenta a forma como vimos a sua relação nascer.

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