“Detachment” – 2011

Adrien Brody interpreta um professor substituto chamado Henry Barthes.

“Whatever is on my mind, I say it as I feel it, I’m truthful to myself; I’m young and I’m old, I’ve been bought and I’ve been sold, so many times. I am hard-faced, I am gone. I am just like you.”

 

Embora se entenda pelo desapegar que dá título a este filme uma sensação de distanciamento da realidade – o que, de facto, se comprova em certos segmentos da longa-metragem -, é importante depreender dessa mesma sensação uma ideia de mudança circular, e não fixa ou intemporal; no máximo dos máximos, é intermitente.

O filme acompanha aproximadamente três semanas na vida de Henry Barthes enquanto se move de escola em escola como professor substituto, nunca podendo criar laços com o corpo docente ou os alunos – um apegar, diga-se, até dar entrada provisória numa das piores escolas do estado. Os professores, tal como os alunos, são susceptíveis a surtos de raiva e dor, de desistência e mágoa, visto estarem à beira de perderem o emprego devido à qualificação estadual do estabelecimento de ensino ser das mais baixas dos últimos anos, e também em risco de perderem e a sanidade devido a cada um dos seus problemas pessoais (problemas maritais, farmacêuticos, entre outros).

Sem que haja grande interferência com o enredo, há monólogos oportunos de Henry sobre o seu próprio desenvolvimento como professor, como ser empático (ou não) ou como simples humano. Trata-se de uma abordagem directa ao âmago psicológico do personagem que, embora secundária, complementa o olhar do espectador a todas as partes do filme e cerra o intuito das acções tomadas ao longo do espaço temporal.

Torna-se evidente que este filme é um claro progresso desde o grande American History X, principalmente devido ao muito desejado afastamento de Tony Kaye das atitudes estereotípicas que tanto mancharam o lançamento do filme (pesquisem sobre Tony Kaye + Humpty Dumpty ou sobre todo o processo de produção e lançamento do AHX. Logo após, notem que Tony Kaye é judaico). No entanto, tal como o realizador se tornou maduro nas próprias aproximações cinematográficas, também no enredo se nota uma coesão maior, mais circunscrita e sobretudo cortante nas relações dos personagens; sendo o maior e mais importante deles todos a própria escola.

Há momentos de apatia, de redenção e de (des)apegamento com todo e qualquer interveniente no filme, e é isso que o torna um exemplo tão claro de uma mescla da realidade com ficção, pois temos acesso não só às reacções psicológicas e emotivas dos mesmos, mas também às físicas e (em infelizes casos) fatais.

Detachment é um colosso do cinema que não se deve negligenciar. Perguntem-se a vós mesmos o que é o (des)apegamento, mas antes disso: vejam este filme.

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