“The Goldfinch” – Donna Tartt

Este é o meu penúltimo livro da lista “a Rita vai ler o que foi galardoado em 2013”. Em princípio. Não, minto. Deve ser o ante-penúltimo. Bom, não interessa. Tinha começado a ler o The Luminaries, galardoado com o Booker Prize, mas sempre que passava pela estante e via este passarinho a olhar para mim sentia-me tentada. E assim foi. Engraçado ter sido a imagem do pássaro que me fez sentir curiosidade quanto ao livro, tendo em conta a ligação que alguns personagens do livro têm com a mesma imagem.

Theodore Decker é atingido pela tragédia ainda novo quando a mãe morre num atentado. Também ele vítima do mesmo, ao tentar encontrar uma saída, tropeça no corpo de um velho que ainda respira. Estabelecem ambos uma ligação alimentada pela urgência dos últimos momentos antes da morte e o velho insta Theo a tirar do museu um pequeno quadro, de nome The Goldfinch. Theo, na confusão do momento, fá-lo, sem se aperceber que está a roubar um trabalho artístico de enorme valor. Para ele o quadro simboliza uma ténue e derradeira ligação com a mãe e, ao longo do tempo, será sempre algo que o reconforta e com a qual se identifica, pois o resto da vida de Theo tudo tem em comum com o pequeno pássaro acorrentado a um poleiro, sem conseguir sair, sem conseguir mudar. Theo cresce em casa de uma família nova-iorquina abastada até o pai o levar para Las Vegas. Aí, entra numa espiral de álcool, drogas e comportamentos erráticos. E são as vivências e ligações humanas de Theo em Las Vegas que maior impacto terão na sua vida adulta.

Há livros com setecentas páginas que demonstram a incapacidade do autor/a em compactar a narrativa. Neste caso, as setecentas páginas são necessárias. Narram a vida de um rapaz cuja felicidade lhe foi roubada e que viveu toda a vida na ténue linha entre o certo e o errado. Tirando a história em si e os pequenos e deliciosos detalhes sobre pintura, arte, restauro e comércio de antiguidades, a própria escrita é das mais claras e straight to the pointque tenho apanhado, com visões interessantes sobre a vida e as relações humanas. Tartt dá à sua escrita ainda um tom nostálgico, de algo perdido que nunca pode ser recuperado e que só pode ser vislumbrado no quadro. Destaco sobretudo o último capítulo que apelará aos fãs do género stream of consciousness.

Duas coisas antes de terminar isto: um bocadinho de informação gira e algumas citações. Primeiro a informação gira.

The Goldfinch é um quadro real pintado em 1654 por Carel Fabritius, um mestre holandês não muito reconhecido hoje em dia devido ao facto de um incêndio ter destruído grande parte das suas obras. Foi um percursor da geração de pintores de Delft, como Vermeer, por exemplo. Pronto, assim ficam a saber.

Citações:

Only what is that thing? Why am I made the way I am? Why do I care about all the wrong things, and nothing at all for the right ones? Or, to tip it another way: how can I see so clearly that everything I love or care about is illusion, and yet–for me, anyway–all that’s worth living for lies in that charm?

A great sorrow, and one that I am only beginning to understand: we don’t get to choose our own hearts. We can’t make ourselves want what’s good for us or what’s good for other people. We don’t get to choose the people we are.

Because–isn’t it drilled into us constantly, from childhood on, an unquestioned platitude in the culture–? From William Blake to Lady Gaga, from Rousseau to Rumi to Tosca to Mister Rogers, it’s a curiously uniform message, accepted from high to low: when in doubt, what to do? How do we know what’s right for us? Every shrink, every career counselor, every Disney princess knows the answer: “Be yourself.” “Follow your heart.”

Only here’s what I really, really want someone to explain to me. What if one happens to be possessed of a heart that can’t be trusted–? What if the heart, for its own unfathomable reasons, leads one willfully and in a cloud of unspeakable radiance away from health, domesticity, civic responsibility and strong social connections and all the blandly-held common virtues and instead straight toward a beautiful flare of ruin, self-immolation, disaster?…If your deepest self is singing and coaxing you straight toward the bonfire, is it better to turn away? Stop your ears with wax? Ignore all the perverse glory your heart is screaming at you? Set yourself on the course that will lead you dutifully towards the norm, reasonable hours and regular medical check-ups, stable relationships and steady career advancement the New York Times and brunch on Sunday, all with the promise of being somehow a better person? Or…is it better to throw yourself head first and laughing into the holy rage calling your name?”

“…as we rise from the organic and sink back ignominiously into the organic, it is a glory and a privilege to love what Death doesn’t touch.”

“When I looked at the painting I felt the same convergence on a single point: a glancing sun-struck instance that existed now and forever. Only occasionally did I notice the chain on the finch’s ankle, or think what a cruel life for a little living creature–fluttering briefly, forced always to land in the same hopeless place.”

“Well—I have to say I personally have never drawn such a sharp line between ‘good’ and ‘bad’ as you. For me: that line is often false. The two are never disconnected. One can’t exist without the other. As long as I am acting out of love, I feel I am doing best I know how. But you—wrapped up in judgment, always regretting the past, cursing yourself, blaming yourself, asking ‘what if,’ ‘what if.’ ‘Life is cruel.’ ‘I wish I had died instead of.’ Well—think about this. What if all your actions and choices, good or bad, make no difference to God? What if the pattern is pre-set? No no—hang on—this is a question worth struggling with. What if our badness and mistakes are the very thing that set our fate and bring us round to good? What if, for some of us, we can’t get there any other way?”

Não sei se já existe tradução para português (e se e quando existir será com o Acordo). Leiam-no. Algo me diz que será relembrado por muitos anos.

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