“Elizabeth is Missing”, Emma Healey

Maud é uma senhora de oitenta e poucos anos que sofre de demência. Um dia, ao folhear as notas que escreve para se ir lembrando de pormenores do dia-a-dia, descobre que a sua amiga Elizabeth não atende o telefone há uns dias. A ideia de que Elizabeth desapareceu fixa-se na cabeça de Maud ao mesmo tempo que memórias de um outro desaparecimento do qual foi testemunha durante a sua juventude vêm ao de cima.

Os meus avós paternos faleceram como resultado desta doença. Não foi bem por isso que comprei o livro, no entando. Comprei-o, e arrependo-me de o dizer, por vê-lo anunciado em todas as estações de metro londrinas por onde passei nesta minha última visita à cidade. Quando li a sinopse, aí sim, achei que a escolha de narrador era tão fora do comum e tão próxima a uma experiência que tive que resolvi comprar, talvez numa tentativa de entrar no labirinto em constante mutação que é a cabeça de uma pessoa com esta doença. De compreender porque é que detalhes da juventude são mais reais do que o presente.

Confirma-se a “frescura” da escolha de narrador. Como é que se resolve um suposto crime quando não nos lembramos das pistas? Quando uma ideia que escrevemos e anotamos no momento seguinte é uma coisa indecifrável? E neste ponto o livro está muito bom, particularmente ao descrever a deterioração do cérebro do Maud através dela mesma. Helen, a filha, é indiscutivelmente uma das melhores personagens do livro; o sofrimento e exasperação com a mãe, a emoção e tristeza que sente nos últimos momentos em que a mãe a reconhece são dolorosamente reais.

Infelizmente a novidade das primeiras páginas cedo desaparece porque a fórmula utilizada para dar movimento à história é extremamente repetitiva. As respostas que Maud procura são evidentes logo de início (talvez tenha lido crime thrillers a mais) e o motivo usado como “desculpa” para a narrativa avançar e recuar no tempo tornam-se chatos. Sabem aquela fórmula do Family Guy? “Isto faz-me lembrar aquela vez em que…”? É um pouco assim. Maud começa a fazer algo e depois pára porque “a maneira como a luz batia nas flores fez-me lembrar quando era nova e estava com a minha irmã etc, etc, etc”. É sempre assim. Para além disso, passei o tempo todo à espera de um twist que não aconteceu. De todo. Ou se aconteceu foi tão previsível e pequenino que nem dei por ele.

Resumidamente: ganha pontos por ter um narrador nada cliché mas perde-os por se tornar repetitivo.

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