Penny Dreadful: segunda temporada

Não preciso de avisar que este texto contém spoilers. Afinal de contas, a segunda temporada só acabou ontem. Considerem-se avisados.

Devo confessar que quando começou a segunda temporada achei que a série estava a perder qualidade. A nova big bad parecia ter sido tirada do chapéu – embora tenha sido subtilmente introduzida na primeira temporada, verdade seja dita – e a ameaça não parecia ser tão medonha e atemorizadora para a Vanessa como a da primeira temporada. Contudo, ela mostrava ter mais medo desta do que dos riscos que correra anteriormente que, na minha opinião, foram bastante taxativos para a personagem. E, de facto, a vilã continuou a não me convencer mesmo até ao último episódio. Teria sido interessante um conflito entre ela e a Hecate. Pelo menos dava maior dinâmica ao covil, mas… nada disso. Apareceu, fez voodoo, desapareceu. Fim. O que é que tornou a segunda temporada tão boa, então?

A Vanessa. Sempre a Vanessa. Aqui vimos um pouco mais do passado dela e de como esse passado se manifesta no que ela é no presente: nas suas escolhas, nos seus medos. Agora que aceitou o que é, que renegou as suas crenças, tudo está em aberto. Tivemos um pequeno vislumbre daquilo que ela sonhava para si caso fosse normal e isso tingiu todo o episódio de uma tristeza atroz. Sozinha, o que fará? Será que já se sente completa, segura do seu potencial, segura da ameaça que é para si mesma ou ainda há segredos que esconde?

Outro ponto muito alto da temporada foi Lily Frankenstein. Uma coisa que Penny Dreadful faz muito bem é incorporar a crítica literária ao gótico vitoriano na construção de personagens e situações, nomeadamente o medo da patriarquia em relação à nova mulher emancipada do final do século e a sempre presente ameaça da colonização revertida. O medo do outro a dominar a civilização. E Lily encorpora tudo isso. Sim, é certo que toda a série tem uma componente fortemente feminina e feminista mas penso ser agora com Lily que todo esse temor do fin de siécle se vá manifestar. E a Billie Piper foi uma excelente surpresa.

Penso que surgirão novos protagonistas na terceira temporada. Foi tudo deixado em aberto. Clare foi para o Ártico, Ethan foi preso e expatriado para os EUA (já correm teorias de que se transformará a meio da viagem, o que seria bastante giro e faria um paralelo interessante com a viagem do Demetria em Dracula), Sir Malcolm vai a caminho de África, Vanessa está sozinha, Victor está completamente dependente de drogas e Lily e Dorian parecem ser a próxima grande ameaça. Mas quem sabe? Apenas penso que o elenco terá que ser reforçado enquanto os personagens principais não se voltarem a reunir. E, como sabemos, ainda há muita tinta para correr relativamente a Ethan [Lawrence Talbot] por isso não sei se o seu regresso será tão rápido como o desejaria. E para onde foi Hecate?

O final foi muito, muito triste. Mas executado de forma impecável. Este é, até agora, o melhor papel de Eva Green. Estou absolutamente ansiosa que estreie a terceira temporada. Nem que seja para ficar estarrecida com a forma brilhante como crítica literária e televisão se cruzam.

EDIT: O prémio para melhor frase do último episódio vai para Mr. Lyle.

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