“Watashi ga Motenai no wa Dou Kangaete mo Omaera ga Warui!” – 2013

Ou, por outras palavras, algo como “Não importa o que vocês dizem, não tenho culpa de não ser popular”.

WataMote pretende ser uma comédia negra cuja protagonista, Kuroki Tomoko, tem zero capacidade de socializar. Segundo ela, durante o ciclo falou com dezenas de rapazes e fez imensos amigos… mas em RPGs. Tomoko espera que a entrada no liceu seja um ponto de viragem no seu percurso social, só para descobrir que é mais do mesmo. Ninguém lhe liga, não consegue ter conversas com ninguém por ser demasiado tímida e vê-se em situações extremamente embaraçosas que são sempre lidas da maneira errada. Mas ela tenta. Lá isso, tenta.

Para alguém cuja adolescência foi uma sucessão de dias cinzentos onde nos sentíamos transparentes e sem importância, em que chegar a casa e nos dedicarmos aos nossos pequenos prazeres era o ponto alto do dia, esta é a série a ver. A Tomoko pensa exactamente como alguns de nós pensam em situações sociais como, por exemplo, a impossibilidade total de parecer descontraído e com estilo nas cadeiras altas do Starbucks. E também se farta de mal-dizer os colegas que não lhe ligam nenhuma, roçando o ordinário mas… vamos confessar que já todos o fizemos. “Ai claro que não me ligas porque és uma parva de uma galdéria de mini-saia que não pensa em mais nada”.

Depois há imensas referências a outras séries. Temos referências a Death Note, K-ON, Suzumiya Haruhi, Detective Conan, Kiki’s Delivery Service e, claro, Shingeki no Kyoujin. Resumidamente, gostei de ver mas não pude deixar de me sentir deprimida com algumas situações por compreender demasiado bem a personagem. Mas, claro, a weirdness dela aqui é exponenciada ao máximo e permite passar um bom bocado!

“The Garden of Words” [Kotonoha no Niwa] – 2013

Estou sem palavras. Sou uma apaixonada pelo trabalho de Makoto Shinkai. Acho que, a nível visual, não há, de momento, nenhum realizador de animação japonesa que lhe chegue aos calcanhares e sim, admito que posso estar a dizer uma enormidade. Todos sabemos que o Miyazaki é excelente. Adorei o trabalho de Hiromasa Yonebayashi em The Secret World of Arrietty e acompanho com gosto os filmes de Mamoru Hosoda, como já referi no artigo anterior sobre Wolf Children: Ame and Yuki. Mas o Makoto Shinkai está numa liga completamente à parte. Mesmo quando a história em si não é convincente, como, para mim, foi The Place Promised In Our Early Days 5 Centimeters Per Second, é impossível não nos sentirmos próximos dos personagens e sentirmos, com eles, os desgostos por que passam, as saudades que sentem de quem amam e a amargura de um final cheio de desencanto. E a animação? Meu Deus, a animação! Bom, adiante. The Garden of Words é a aposta de Makoto Shinkai para 2013 e um regresso ao formato que, na minha opinião, se adequa melhor às suas histórias: filmes curtos, de cerca de trinta a quarenta minutos. Afinal de contas o excelente, maravilhoso e doloroso Voices From a Distant Star é pequeno mas é precisamente por isso que vai directamente ao encontro daquilo que quer contar, sem alongamentos.

Este filme conta-nos a história de um rapaz e de uma rapariga que se encontram, por acaso, num dia de chuva. Nos dias de chuva que se seguem continuam a ir ter ao mesmo sítio e, mesmo sem saberem como se chamam, o que fazem ou a idade, criam entre si uma relação muito especial tornando-se, sem saberem, o pilar e a inspiração um do outro. Claro que, sendo um filme de Shinkai, há muita tristeza pelo meio. Mas é uma tristeza bonita, uma tristeza que, tal como nos dias de chuva, pode trazer consigo um fio prateado, um raio de sol ou até mesmo um arco-íris.

O filme é fluído, não se demora em pormenores que não interessam para a história principal e os detalhes da animação são deliciosos: o pormenor dos desenhos a carvão de Takao até aos sons que diferentes vegetais têm ao ser cortados. É um deleite para a vista e para o espírito. Vejam. São quarenta minutos do vosso tempo.

“Ookami Kodomo no Ame to Yuki” – 2012

Da autoria de Mamoru Hosoda, realizador do excelente The Girl Who Leapt Through Time, chega-nos este Ookami Kodomo no Ame to Yuki, ou Wolf Children: Ame and Yuki, uma história simples sobre o que é ser mãe e a aceitação dos diferentes caminhos que os filhos decidem escolher.

Hana conhece o seu futuro marido na universidade e cedo descobre que ele tem um segredo: é um homem-lobo mas não nos termos que a cultura popular nos tem vindo a habituar. Ele é inofensivo e pode-se transformar em qualquer altura. Hana aceita esta faceta e juntos embarcam numa doce relação da qual são fruto Yuki e Ame, que herdam as mesmas características do pai. Cedo a tragédia abate-se sobre a família e Hana vê-se obrigada a confrontar a educação de duas crianças fora do normal sem os conselhos de alguém que cresceu de forma semelhante. À medida que vão crescendo Ame e Yuki também têm que escolher o caminho que querem que as suas vidas sigam – tentar ser o mais humano possível ou ceder à chamada da natureza e abraçar o seu lado selvagem.

É um filme suave, sem a carga dramática de The Girl Who Leapt Through Time e que consegue compensar o vazio deixado por Summer Wars. A animação é esplêndida assim como a banda-sonora e consegue ser, no conjunto, e apesar do traço algo sobrenatural da história principal, extremamente humano e, como uma amiga referiu, reconfortante. Não há mesmo muito maia a escrever. Espero que Hosoda continue por este caminho mais tradicional em vez de realizar histórias mais complicadas como Summer Wars que, apesar da animação extremamente avançada, carecia de sentido. Gostei bastante e recomendo vivamente! Mas se nunca viram nada de Hosoda recomendo verem este primeiro e depois The Girl Who Leapt Through Time. Afinal de contas tem que se deixar o melhor para o fim.