“Frances Ha” – 2012

Estava cheia de curiosidade em ver este filme desde que li a crítica na revista Empire (versão inglesa, claro, porque a portuguesa se limita a traduzir artigos e isso é… bem, é foleiro). Vi-o finalmente ontem. E, claro, fiquei desiludida.

Embora o filme esteja registado como sendo de 2012, foi somente este ano que começou a andar pelas bocas do povo. Realizado por Noah Baumbach (The Squid and the Whale, Margot at the Wedding), Frances Ha conta com um argumento escrito pelo mesmo e por Greta Gerwig, actriz que dá corpo à personagem principal.

Frances é uma rapariga de vinte e sete anos como muitas de nós: licenciada numa área artística e aspirante a bailarina não consegue criar um mundo seu. Salta de apartamento em apartamento e vê as oportunidades de um emprego sólido constantemente vedadas. A própria relação com a melhor amiga sofre consequências quando esta assume o que é esperado de uma vida adulta e Frances continua a perpétua adolescente. O que mantém Frances à tona é a sua permanente boa disposição e o seu espírito livre e sonhador, que a leva a tomar decisões sem medir bem as suas consequências.

Esperava mais. Quando li a crítica pensei que me iria identificar de imediato com a personagem: uma rapariga da minha idade que ainda não conseguiu encontrar o seu lugar no mundo adulto (“Sorry. I’m not a real person yet.”). Mas a minha impressão final foi de que sim, é um bom filme com um argumento bem estruturado mas não correspondeu bem à expectativa. Recomendo o seu visionamento porque é bastante simplista ao contar uma história que podia ser a de qualquer um de nós e é mais uma mostra do que bom se faz no cinema independente. Mas, pessoalmente, esperava mais.

Apanhado de filmes

Agora que o meu HP deu a alma ao criador – temporariamente, esperemos que os senhores da fábrica lhe dêem mais uns aninhos de vida – dei por mim sem razões para não ver os filmes que tinha guardados no disco. E, acreditem, este disco tem andado viajado. Comecei a razia no Domingo. Aqui ficam opiniões sobre os poucos filmes que já “despachei”.

O meu interesse neste filme foi fruto da minha relação amor-ódio com a Amy Adams. Acho-a uma actriz extremamente boa quando quer mas ultimamente parece ter escolhido os papéis mais sem sal disponíveis em Hollywood. Resolvi remediar isso com o visionamento do filme que lhe deu a nomeação para melhor actriz secundária. Ela é, sem sombra de dúvida, a alma de todo o filme. Este traz-nos a história de uma família sulista algo disfuncional com um pequeno twist: não há desenvolvimento de personagens e, sinceramente, nem é necessário. Conhecemo-los através dos olhos da esposa do filho mais velho George e dizemos-lhes adeus quando o casal parte. Nem mais, nem menos. Ficamos cientes de alguns porquês das instáveis relações entre eles mas o filme não oferece uma justificação, um closure, um “ela é assim porque isto assim assim”. Não, ela é assim porque a personagem através da qual a conhecemos a vê assim e ponto final. Também foi uma excelente surpresa ver o rapaz do The O.C. num registo mais sério e exigente.

Gosto da Amanda Seyfried, admito. Acho que é uma rapariga com um enorme potencial e tento sempre ver os novos filmes que vão saindo com ela (até arranjei paciência para o terrível Gone e o ligeiramente chato In Time – embora o meu principal interesse aí fosse o Cillian Murphy, mas adiante). E ajudou não saber rigorosamente nada sobre a Linda Lovelace. Fiquei a saber? Mais ou menos. Fiquei com uma ideia. O filme é um biopic que não foge à regra, não apresenta fórmulas novas. Os actores estão bem os seus papéis e sim, ficamos com uma ligeira ideia do que terá sido a vida de Lovelace no período do Deep Throat. Mas depois vamos ler a biografia na Wikipedia e damos conta que o filme tem mais inconsistências que o Braveheart (OK, talvez não tantas). Datas trocadas, pontos de vista biased, por aí em diante. Mas não é um filme mau! É só um filme que não traz nada de novo ao género e que, para variar, mostra a personagem principal como uma pobre vítima quando, após alguma leitura sobre o assunto, se vê que algumas coisas não batem certo.

Mau, horrível, chato, Julianne Moore o que é que te deu? Li uma crítica que dizia que o artigo na Wikipedia sobre a personagem principal era mais interessante que o filme. Concordo. Que coisa penosa. Ainda para mais com o Eddie Redmayne, actor que pura e simplesmente não suporto. Está sempre com cara de gozo.

Este foi o de hoje. Foi uma surpresa! Há algum tempo que não via um filme britânico que me enchesse tanto as medidas. A última tentativa foi o Hunky Dory e valha-me Deus, só se aproveitou o Aneurin Barnard a cantar David Bowie. Portanto foi com bastante agrado que terminei este Submarine, que trata da história de um rapaz de quinze anos dividido entre salvar a relação com o seu primeiro amor ou o casamento dos pais. Cómico, emocionante, realista. Recomendo vivamente a quem gosta do género! E tem uma banda-sonora espectacular, com contribuições de Alex Turner dos Arctic Monkeys.

“The Thin Man” – 1934

Fielmente traduzido para português como O Homem Sombra. E hoje descobri que o The Iceman estreou cá com o belíssimo título Um Homem de Família. Maravilhoso, não é? Adiante. Este filme foi uma surpresa muito agradável.

O primeiro de uma série de, creio, seis filmes, The Thin Man tem como protagonistas Nick e Nora Charles, um casal que investiga crimes unicamente por diversão (embora Nick seja um detective profissional). Neste primeiro filme, os dois vêem o seu retiro alcoólico na cidade interrompido pelo assassínio de uma secretária no qual o principal suspeito é um amigo de longa data. E, a nível de história, é só isto. O que me fez ter gostado tanto, então?

O cão.

Não, agora a sério (embora o cão tenha sido um bónus, claro). O que me fez gostar imenso do filme foram os dois actores, Myrna Loy e William Powell. Têm uma química tão boa, um timing cómico maravilhoso e resulta tudo tão, tão bem. Acabei por ver o filme até ao fim não tanto para saber quem tinha morto a secretária mas mesmo para ver mais cenas entre os dois. Aliás, o par funcionava tão bem no ecrã que Loy e Powell fizeram cerca de catorze filmes juntos, mesmo fora do franchising. Impressionante!

Tenho um bocadinho de receio quanto a ver os restantes filmes da série, chamemos-lhe assim. Como é sabido, quando se começa a explorar uma coisa por ter tido sucesso acaba sempre por se perder algo no caminho e, segundo li, aparece um filho algures que também começa a ajudar a resolver casos. Não é bem o meu género mas logo se vê! Independentemente do resto fica a memória de uma hora e meia extremamente bem passada na companhia de Nick, Nora e Asta.

Aprendi também que William Powell teve uma ligação amorosa com Jean Harlow que acabou subitamente com a morte desta. Segundo dizem, a nota encontrada na mão de Harlow era da autoria de Powell e dizia algo como “Goodnight, my dearest darling”. Se é verdade ou não, não sei, mas é bonito. E quero ler a auto-biografia da Myrna Loy. Se ao menos não fosse tão cara, mesmo em segunda mão.. A única reacção possível aos preços é mesmo esta: