“Pursued” – 1947

Filme que em português tem o nome Noites Trágicas. Achei por bem salientar.

Pursued é um western/film noir. A ideia parece estranha mas é mesmo isso que ele é: Robert Mitchum protagoniza o filme no papel de Jeb, um homem que não se lembra de onde veio salvo alguns pormenores e que foi adoptado pela família Callum. Cedo se descobre que Jeb tem inimigos, embora só se venha a saber porquê no final do filme, e passa grande parte da vida a ser incriminado pelos mesmos nas mais variadas situações. Tem o whodunnit e o mistério típico do film noir (tirando as pessoas a fumar e os chapéus) e tem cavalos, cowboys e tirinhos. Portanto está tudo lá. Então porque é que não resulta?

Por causa deste senhor. David Lean disse uma vez que Robert Mitchum tinha uma presença tal que quase não precisava representar. Lamento, David, mas discordo. Se tem presença? Tem. Mas ajudava imenso saber representar. Não sei se foi dos primeiros papéis que teve (duvido), se não estava inspirado ou o que quer que tenha sido mas falta-lhe muito trabalho a nível de reacções emocionais. Não vou escrever sobre o desenrolar das situações principais do filme para não estragar o visionamento a quem quer que esteja interessado. Mas é impossível, e sublinho impossível, reagir com passividade ao que lhe vai acontecendo. E ele fá-lo. De mão na anca, cara de frete e chapéu à banda. Só faltava mesmo a pastilha elástica. Quanto a Theresa Wright, que representa simultaneamente o papel de meia-irmã de Jeb, posso dizer que gostei imenso nas cenas de maior intensidade dramática mas, forma geral, é uma representação muito, muito sem sal.

Contudo, a história está bem construída. É apenas a sua execução que falha.

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“Black Angel” – 1946

O meu primeiro filme noir foi uma bela experiência.

Neste filme de Roy William Neal, Mavis Marlowe aparece morta no seu apartamento com uma música a tocar repetidamente. Quem a encontra é Kirk Bennett e, logo, torna-se no único suspeito e é preso com sentença de morte. Catherine Bennett, sua esposa, resolve fazer de tudo para o conseguir ilibar pois acredita na sua inocência. Para isto, pede ajuda a Martin Blair, viúvo da actriz, um pianista com graves problemas de álcool que jura a pés juntos que no dia em que ela foi morta só lhe enviou uma jóia e não voltou a encontrá-la. Catherine e Martin tentam reunir as peças do puzzle e procurar a jóia, pois acreditam que quem a tem é o verdadeiro culpado. As suspeitas recaem em Marko, protagonizado pelo asqueroso Peter Lorre, que se vem a descobrir estava a ser chantageado por Mavis. Mas será chantagem o motivo? Será Marko realmente culpado?

O filme é uma caça ao homem à antiga com um final surpreendente embora ligeiramente anti-climático. Teria preferido se tivesse sido a minha teoria a sair vitoriosa. Mas o filme prende, tem um pacing rápido, não tem cenas desnecessárias e isto é algo que tenho notado em filmes deste género. É tudo fast,fast,fast. E isso é bom. Só não me convenceu a actriz que desempenha o papel de Catherine. Mas é um film noir que introduz qualquer leigo ao género e o torna curioso por mais.