The Victoria Letters – H. Rappaport/D. Goodwin

I’m a bit conflicted about this, to be honest.

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As can be told by the jacket design, this is the official companion to the good-but-not-amazing ITV series Victoria. It came out just as the first season ended and, being me and an avid fan of Victoria’s early life and her romance with Albert I instantly pre-ordered it, seduced by the title. I knew there were many publications collecting the Queen’s letters but I hoped this book, aiming as it is at a wider, non-academic audience, would condense them and make a careful selection. It does that – but does it a bit too much.

This should be called Excerpts from Victoria’s Journals with Quotations Taken From Her Letters: A Concise Guide for the Historical Illiterate. The letters are few and very shortened. The journal excerpts are more abundant, but still not very surprising – with perhaps an exception to the two curious references to future Portuguese monarchs and the occasional anecdote or fact. I didn’t know, for instance, that Albert was delivered by the same midwife that delivered Victoria three months earlier. Which makes the fangirl in me believe that it was FATE, OKAY?!

Anyway, the book’s main text by author Helen Rappaport is extremely informative to those who aren’t familiar with Victoria’s life. It’s a very good introduction but those of us who know a bit more finish reading it wishing it went a little further. Also, the way it ends feels rushed. It has a proper introduction, but it ends abruptly with a brief reference to a possible second season, which has since then been confirmed. The Behind the Scenes section is interesting, but it also ends aprubtly. It reads like “sets-costumes-hair-bam-bam-bam-done”. I like my non-fiction books to be fully rounded.

It is, however, a beautifully constructed book with plenty of photographs from the series and scans of 19th century prints. Again, I recommend it if you’re a Victorian era enthusiast or if you’re curious about learning more about Victoria’s early life. I also recommend it as a collection piece, as a companion piece, something to look good on the shelf. But it fails to go a bit further and the title is misleading.

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“The Last Days of Anne Boleyn” – 2013

Este artigo vai ser muito pequeno.

O documentário é de apenas um episódio de uma hora e fala, como o nome indica, dos últimos dias da segunda esposa de Henry VIII. Foca-se sobretudo nos motivos que levaram à sua execução e na exploração das várias teorias existentes. Conta com participações de Hillary Mantel (Wolf Hall, Bring Up The Bodies), Alison Weir (demasiados para escrever aqui), uma senhora nova de quem gostei bastante chamada Suzannah Lipscombe e a infame Philippa Gregory.  Também aparece um senhor de quem gostei imenso mas cujo nome agora não me ocorre. David Starkey? Also assim.

Pessoalmente não sou nada fã da Anne Boleyn. Sei pouquíssimo sobre ela para além do que é lugar-comum mas a opinião que tenho é de que era uma mulher extremamente arrogante e ambiciosa. E este documentário tem a grande vantagem de nunca a vitimizar. Algumas historiadoras simpatizam com a sua história mas nenhuma delas pensa que o que aconteceu não foi, em parte, por culpa das suas acções. Pode ter sido uma mulher do seu tempo e pode ter sido vítima de acusações injustas (tenho particularmente dúvidas quanto à de incesto). E acredito, sim, que foi alvo de conspirações por parte de Cromwell, inventadas a mando ou não de Henry que já estava de olho na Jane Seymour. Mas não tenho dúvidas nenhumas de que Anne muito provavelmente seduzia homens fora do casamento e, nalgumas ocasiões, possa ter conspirado com eles. Mesmo que fosse conversa por conversa. Lá está, não tenho conhecimentos para o afirmar, mas é a ideia que tenho dela.

O que é certo é que ficou sem cabeça, o que foi um outcome giro para tudo o que Henry fez para conseguir casar com ela. Na mentalidade da época, quase podia ser considerado uma espécie de castigo divino. Ai queres-te divorciar da Catherine e ser chefe da Igreja Anglicana? Então toma, agora a tua mulher vai ter um aborto de um miúdo mal-formado e vai-te fazer a vida negra por ser inteligente, nariz empinado e ambiciosa. Não admira que todas as outras tenham sido submissas e que, quando apareceu outra que lhe pudesse ter feito frente (Anne of Cléves), a coisa tenha corrido mal.

Recomendo o documentário, sobretudo pelos comentários da Hillary Mantel. Que senhora adorável e inteligente.

“She-Wolves: England’s Early Queens” – 2012

Dei com este documentário completamente por acaso. Estava à procura de episódios da série espanhola Isabel, baseada na vida da (grande) Isabel, a Católica, e vejo na lista o segundo episódio desta série. E pensei “Olha lá, em vez de perderes tempo com Espanha que não é bem a tua área mais valia veres um documentário da BBC sobre uma coisa que adoras”. E acedi ao chamamento. Depois de uma intensiva noite com o computador sempre ligado, consegui começar a ver na Quinta-feira. E aqui fica uma pequena reflexão.

Baseado no livro do mesmo nome de Helen Castor, doutorada em Cambridge, o documentário segue a história das primeiras rainhas inglesas, desde a Idade Média até o final da dinastia Tudor. Embora a narração, feita pela própria autora, seja ligeiramente monótona (nós, pessoas de letras, temos um à-vontade imenso em frente a uma câmara) as pequenas biografias estão profundamente pesquisadas e levantam perguntas pertinentes relativamente a sociedades dominadas pelo sexo masculino e o quão difícil era para mulheres, na altura, afirmarem o seu poder. E acaba com a pergunta: agora que Isabel II reina mas não governa, será que uma mulher que quisesse juntar as duas funções numa só como Isabel I, por exemplo, conseguiu, não encontraria as mesmas dificuldades? Porque, olhando para uma sessão de Parlamento em Inglaterra, o sexo masculino ainda é o dominante. Bom, adiante.

O primeiro episódio fala sobre Matilda e Eleanor de Aquitânia. Duas mulheres interessantíssimas que tinham uma coisa em comum: ao se aperceberem que nunca iriam conseguir obter o poder para si mesmas fizeram de tudo para os filhos o obterem. Matilda ainda tentou ser coroada mas foi afugentada de Westminster por uma população que considerava uma mulher no trono como algo pouco natural. Eleanor anulou o primeiro casamento e virou-se contra o segundo marido, Henry II, quando este se mostrava reticente em dividir o poder pelos filhos. E era uma mulher bastante culta, sendo muito associada ao surgimento dos romances de cavalaria. O segundo episódio aborda Isabella de França e Marguerite de Anjou: a primeira, filha de Filipe, o Belo, rei de França, casou-se com Eduardo II. Quando chegou a Inglaterra constatou que o seu lugar já tinha sido preenchido – por um homem. Isabella aguentou como todas as mulheres da época eram forçadas a aguentar. O marido cumpria os deveres matrimoniais mas nada mais do que isso. Quando o amante morreu e Eduardo arranjou substituto, Isabella perdeu completamente a cabeça. Voltou para França e retornou a Inglaterra munida de um exército e, curiosamente, o povo viu-a como a libertadora do regime de Eduardo. Mais uma vez, lutou pelos direitos do filho até ao fim. Quanto a Marguerite de Anjou, figura essencial da Guerra das Rosas, lutou em lugar do marido, Henry VI, um perfeito incapaz que só de pensar em sexo ficava uma semana de cama com ansiedade.  Quase conseguiu assegurar a vítoria para Lancaster e garantir o trono ao filho após a morte de Henry quando, na batalha de Towton, tudo deu uma reviravolta e York derrotou Lancaster. Marguerite viu-se obrigada a fugir mas, mais tarde, teve outra oportunidade quando Warwick traiu o rei Eduardo IV. O terceiro e último episódio, por fim, fala de Lady Jane Grey (corações), Mary I e Isabel I. Embora não nutra grande afecto pela Mary I por causa das sangrentas perseguições religiosas que incitou aprendi que teve duas gravidezes fantasma tal era o seu desejo de ser mãe e ter um herdeiro. Fez-me sentir um bocadinho de pena dela. O facto de o marido, Filipe II (nosso rei!), não lhe ligar nenhuma também a deve ter tornado numa mulher ainda mais amarga do que era. Quanto a Isabel, pouco há de novo a saber, não é? Grande mulher, que conseguiu, finalmente, unir reinar a governar, assumindo total controlo do seu país e trazendo-lhe enorme glória. Adoro-a. Não acredito minimamente que tenha morrido virgem mas era uma mulher fabulosa. Fabulosa.

E é isto. Se tiverem interesse em ver, há muita coisa para aprender que não mencionei aqui. Quanto a mim, o que eu devia realmente fazer era largar o tesão pela Guerra das Rosas e começar a aprender algo sobre os Stuart.

“Uneasy Lies The Head” – Jean Plaidy

Uneasy Lies The Head, de Jean Plaidy, é um livro de ficção histórica que nos introduz a um período bastante importante da História de Inglaterra: a junção das casas de Lancaster e York através do casamento de Henry Tudor com Elizabeth of York que culminou no início da dinastia Tudor.

A imagem é feia mas é igual à capa da edição velhinha e amarela que tenho. Mil perdões.

Continuando. O livro abrange os primeiros anos do reinado de Henry VII – começa com o nascimento do primeiro filho, Arthur – e acaba com a ascensão ao trono de Henry VIII. Mostra-nos como Henry VII se encontrava numa situação delicada já que a sua revindicação ao trono era muito fraca e, para agravar a situação, o mistério dos filhos de Edward IV e Elizabeth Woodville continuava (e continua) por resolver. Henry VII viu-se a braços com inúmeras revoltas liderados por supostos pretendentes ao trono que se faziam passar pelas crianças desaparecidas na torre até que resolveu o assunto como os reis os resolviam na altura – através de intrigas. O livro fala-nos também de Catarina de Aragão e tem algumas secções interessantes sobre Fernando e Isabel de Espanha. A história de Catarina de Aragão interessa-me imenso porque mostra na perfeição o quão ávaro Henry VII era e o quão pouco os pais “reais”, chamemos-lhe assim, se preocupavam com as filhas a partir do momento em que eram entregues para casamento. Foi uma mulher que sofreu imenso na sua viúvez e no casamento com Henry VIII. Portanto, como se pode ver, há imensos fait-divers interessantes. Mas o livro tem uma grande falha: está pessimamente escrito.

Há uns anos tentei ler um livro da mesma autora sobre Anne Boleyn e não consegui passar das primeiras páginas precisamente pelo método de escrita. Não há respeito por regras gramaticais, não há vírgulas onde deviam haver e há situações absolutamente improváveis como, por exemplo, um futuro Henry VIII de três anos a falar filosoficamente com o irmão Arthur. Com todas as palavrinhas no sítio e com um raciocínio claríssimo. Ora convenhamos que, embora se diga que o rapaz era avançado para a idade, uma criança de três anos não tem noção suficiente do que se passa à sua volta para discutir o reinado do pai com o irmão mais velho e dar opiniões. Também há momentos em que Plaidy se esquece completamente das personagens. No início fala-se muito no confronto de egos entre Elizabeth Woodville e Margaret Beaufort, o que dá uma dinâmica interessante aos diálogos mas, a partir do momento em que a morte de Woodville é narrada, Beaufort cai completamente no esquecimento. Mas completamente. Não volta a ser mencionada uma única vez. Isto parece-me um erro crasso já que Margaret teve um papel proeminente na vida do filho e na educação dos netos. Aceito que não é personagem principal na história que a autora pretende relatar mas… caramba, é a Margaret Beaufort.

Jean Plaidy não tem, então, o dom para tornar História apelativa como, por exemplo, Alison Weir tem. A nível de factos está muito bem contestado, não há uma informação que esteja fora do sítio mas é tudo tão… chato, sem personalidade, sem acção, sem aquele elemento crucial que faz o leitor torcer pelas personagens históricas e adoptar favoritos. Como a Margaret Beaufort, não é, Jean? Aparentemente a senhora também escreveu sagas sobre o reinado da minha adorada Vitória. Até tremo só de pensar.

“Rainhas que o povo amou: Estefânia de Hohenzollern” – Maria Antónia Lopes

O meu interesse no reinado de D. Pedro V deve ter nascido, mais coisa menos coisa, quando andava no quinto ano. Lembro-me de estar a folhear um livro em casa da minha avó sobre personalidades portuguesas, ver um quadro dele e ter pensado que ali estava um senhor bastante fofinho. Com o passar do tempo, à medida que ia lendo mais sobre ele, mais me apercebia que não era fofinho de todo mas sim ligeiramente como eu: tímido, introvertido, sorumbático, que retirava mais prazer da sua solidão do que no convívio com outras pessoas (embora aqui haja uma pequena diferença mas este não é o sítio para discutir isso). Há uns anos, a Círculo de Leitores lançou uma colecção de biografias de rainhas de Portugal e, num desses volumes, partilhado com a biografia de D. Maria Pia de Sabóia, vinha a rainha D. Estefânia, mulher de D. Pedro V. Encomendei sem hesitar e, quando chegou, pu-lo na estante e nunca mais lhe peguei.

Que é uma coisa que tendo muito a fazer. Adiante.

Peguei nele na passada semana. Após batalhar com o novo acordo ortográfico (tive que reler a frase “a rainha teve uma receção” duas vezes, ainda pensei que estivesse doente ou qualquer coisa) descobri uma biografia sucinta – pudera, coitada – e isenta de detalhes supérfluos. Ou seja, precisamente o tipo de biografia que gosto de ler. A autora nunca, ou muito raramente, se dá ao luxo de tecer comentários pessoais. As afirmações que faz são excelentemente refutadas por citações retiradas de diários e cartas de pessoas que testemunharam os acontecimentos. Fica-se com uma ideia algo diferente do mito que rodeia D. Estefânia e conhece-se melhor o carácter de D. Pedro V, destruindo também algum do mito de “rei santo” que lhe é associado. Portanto, gostei. E é uma leitura curta – cerca de noventa páginas. A maior parte do livro é dedicada, como já referi, a Maria Pia de Sabóia, esposa de D. Luís I, o rei banana.

Recomendo se tiverem interesse neste período da história do nosso país e apenas nesse caso. Não vale a pena gastar dinheiro por noventa páginas de outro modo. Mas, pelo amor de Deus, se realmente querem saber mais sobre D. Estefânia leiam este em vez daquele que foi publicado recentemente (D. Estefânia – Um Trágico Amor) que aparentemente estica a história por duzentas e oito páginas e deve ter o mesmo requinte literário de uma biografia escrita por Isabel Stilwell. Ou pior.

“Defying Hitler” – Sebastian Haffner

Vi pela primeira vez este título numa bibliografia para Cambridge mas não o consegui encontrar em lado nenhum. Voltei a vê-lo num artigo escrito pelo Michael Palin o que me deu ainda mais vontade de o ler porque… enfim, Michael Palin, não é? Consegui encontrá-lo, por sorte, num alfarrabista aqui em Glasgow e assim que me despachei das leituras obrigatórias para o curso comecei a lê-lo. Primeiro escrevo sobre o que trata e depois logo passo para a opinião.

Sebastian Haffner – nome verdadeiro Raimund Pretzel – foi um conceituado jornalista político e ocasional historiador alemão. Começou a escrever o manuscrito de Defying Hitler (Geshichte eines Deutschen, o que me leva a pensar que a escolha de título em inglês foi um bocadinho infeliz) durante o seu exílio em Inglaterra mas, quando começou a guerra, achou melhor parar e concentrar-se noutros temas. Foi ele o autor de Germany, Jekyll and Hyde, pequeno manual que mostrava aos ingleses os pontos fracos da Alemanha nazi e que, na altura, vendeu mais de um milhão de cópias. Depois de uma carreira de sucesso quer em Inglaterra quer na Alemanha viu-se limitado fisicamente por uma doença – nunca é explicitada qual – e pediu ao seu filho, Oliver Pretzel, para, depois da sua morte, procurar entre os seus papéis um suposto romance e enviá-lo a editoras. Oliver assim o fez. Enquanto procurava o tal romance encontrou o manuscrito de Defying Hitler e leu-o de uma só vez. Enviou-o a um amigo para ter uma segunda opinião, caso a dele estivesse influenciada pelo grau de parentesco que tinha com o autor, e a sua opinião foi secundada. O manuscrito foi publicado e, anos mais tarde, foi re-editado com dois novos capítulos que Oliver entretanto descobriu. A recepção foi, em geral, unanimemente boa mas alguns críticos duvidaram da veracidade do tom do narrador – acusavam Oliver de ter mudado o desenrolar de alguns eventos para melhorar a imagem do pai. O manuscrito foi enviado então para um proof reader que confirmou que nada tinha sido alterado. E assim o livro foi traduzido e chegou às prateleiras inglesas em 2002.

A princípio custa um pouco entrar na narrativa. O género autobiográfico nem sempre é fácil. Haffner começa com um breve Prólogo no qual fala da história da Alemanha e do povo alemão até 1933. Esta informação acaba por ser útil para uma melhor compreensão do que se segue. O que aborda, então, Defying Hitler? É a história de um cidadão berlinense, não-judeu, que testemunha a ascensão do regime nazi com incredulidade. Através dos vários episódios que vai narrando, Haffner lança algumas questões morais e possíveis explicações para o porquê de uma tão fácil inserção de um regime nacionalista na vida comum alemã. Porque, afinal, como Oliver explica na conclusão, a pergunta mais frequente depois de 1945 foi precisamente essa: como? No livro vemos os pontos fracos do povo alemão expostos e como Hitler e os seus seguidores conseguiram aproveitar-se deles. Temos aqui um perfil psicológico de todo um povo. E é uma leitura fascinante, absorvente e, sobretudo, elucidativa. Deixo aqui algumas citações que me pareceram interessantes.

Sobre a loucura por atletismo que caracterizou a era Stresemann:

It did not occur to them that, through sport, the lure of the war game, the old thrilling magic of national rivalry, was being exercised and maintained and that this was not some harmless venting of bellicose instincts. They failed to see any connection. They were blind to Germany’s relapse.

Sobre a violência do anti-semitismo nazi:

It is something new in the history of the world: an attempt to deny humans the solidarity of every species that enables it to survive; to turn human predatory instincts, that are normally directed against animals, against members of their own species, and to make a whole nation into a pack of hunting hounds. Once the violence and readiness to kill that lies beneath the surface of human nature has been awakened and turned against other humans, and even made into a duty, it is a simple matter to change the target. That can be clearly seen today; instead of ‘Jews’, one can just as easily say ‘Czechs’ or ‘Poles’ or anyone else.

Sobre a forma como este anti-semitismo era encarado pelo povo alemão:

It shows how ridiculous the attitude is, still found widely in Germany, that the anti-Semitism of the Nazis is a small side issue, at worst a minor blemish on the movement, which one can regret or accept, according to one’s personal feelings for Jews, and of ‘little significance compared to the great national issues’. In reality these ‘great national issues’ are unimportant day-to-day matters, the ephemerial business of a transitional period in European history – while the Nazis’ anti-Semitism is a fundamental danger and raises the spectre of the downfall of humanity.

Ainda sobre as reacções do povo alemão ao regime Nazi:

…, it is one of the uncanny aspects of events in Germany that the deeds have no doers and the suffering has no martyrs. Everything takes place under a kind of anaesthesia. Objectively dreadful deeds produce a thin, puny emotional response. (…) Humiliation and moral decay are accepted like minor incidents.

Sobre a forma como o regime apelou aos instintos masculinos mais básicos de camaradagem e como essa camaradagem é perigosa:

And yet I know for certain, and emphatically assert, that this very comradeship can become the means for the most terrible dehumanisation – and that it has become just that in the hands of the Nazis. They have drowned the Germans, who thirst after it, in this alcohol to the point of delirium tremens. They have made all Germans everywhere into comrades, and accustomed them to this narcotic from their earliest age: in the Hitler youth, the SA, the Reichswehr, in thousands of camps and clubs – and in doing this they have driven out something irreplaceable that cannot be compensated for by any amount of happiness.

Comradeship is part of war. Like alcohol, it is one of the great comforters and helpers for people who have to live under unbearable, inhuman conditions. It makes the intolerable torable. (…) It anaesthetises us. (…) if it is exercised only for pleasure and intoxication, for its own sake, it becomes a vice. It makes no difference that it brings a certain happiness. It corrupts and depraves men like no alcohol or opium. It makes them unfit for normal, responsible civilian life. Indeed it is, at bottom, an instrument of decivilisation.

Há um capítulo inteiro sobre esta problemática e é tão, tão interessante que podia ficar aqui mais meia hora a citá-lo. Mas melhor do que isso é lerem-no vocês, não acham?