“Life After Life” – Kate Atkinson

Continuo a minha saga de ler os apelidados “melhores livros do ano” para me manter a par com o que se escreve hoje em dia e não estar sempre com o nariz enfiado em romances vitorianos e não-ficção histórica. A seguir ao terrível Eleanor and Park seguiu-se este Life After Life, de Kate Atkinson, cuja premissa é que a vida é algo circular, que se está sempre a repetir e que é possível, de certa forma, voltar atrás e corrigir o mal que causámos. Parece bem, não parece? Mas não é. Pessoalmente, repetir a minha ainda curta vida ad eternum seria o pior inferno a que me podiam sujeitar. Mas voltemos ao livro.

Ursula nasceu em 1910 e morreu no mesmo dia. Ursula nasceu em 1910 e sobrevive. Ursula morre afogada em criança e volta a nascer em 1910. E por aí em diante. À medida que estes constantes renascimentos ocorrem Ursula começa a sentir um certo tipo de premonição e consegue evitar que coisas más aconteçam na sua vida e aos seus familiares – por vezes usando até alguma crueldade. De início Ursula não consegue compreender de onde vêm estas premonições mas, quando finalmente percebe o quão especial é, decide encarregar-se de salvar a Humanidade de uma das maiores atrocidades de sempre: a Segunda Guerra Mundial.

O livro é enorme. Podia ser encurtado sem prejudicar a história, sem dúvida. Mas a maneira como está escrito ajuda imenso a manter o leitor interessado e alguns dos percursos de vida de Ursula são muito cativantes. Ursula, nas suas várias vidas, conhece dor absoluta, ostracização, coragem, amor, desolação. A única coisa que realmente aponto como apressado é o final, quando Ursula se apercebe da circularidade da sua vida. Algo que devia ser gradual é como uma revelação divina. E a partir daí tudo acontece muito rápido e o livro acaba de forma aberta, deixando-nos com a ideia de que Ursula irá sempre renascer.

A seguir segue-se The Luminaries e The Goldfinch: mais dois colossos que irei ler, se tudo correr bem, enrolada numa mantinha em frente à lareira com a neve a cair lá fora.

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“NW” – Zadie Smith

Lamento informar que a Zadie Smith passou de genial a medíocre.

NW mantém o seu tema habitual: a narrativa foca-se em famílias que habitam os subúrbios de Londres, que não têm a vida fácil, perfeito contraste com a imagem que o turista tem da cidade, etc. etc., dificuldades e racismo e emigrantes. Já vimos tudo isto em White Teeth escrito de forma brilhante. Em NW temos um retrato cansado, no qual a autora tenta ser moderna e avant-garde a nível de linguagem e de estrutura. E falha? Não propriamente. Há momentos de puro génio no livro mas estão, infelizmente, overshadowed por um desejo de querer ser algo mais que salta à vista em cada página. O meu conselho é Zadie, querida, menos. Tenta menos.

Esta foi provavelmente a crítica menos profissional que escrevi mas paciência.